Na floresta do oeste da Tailândia, a Thismia daemona passa toda a existência escondida sob folhas e não produz alimento por fotossíntese. A pequena “flor do diabo” não tem clorofila, depende de fungos subterrâneos e é conhecida por uma única população com menos de 50 indivíduos em área muito pequena.
Por que a Thismia daemona parece tão diferente de uma planta comum?
A espécie não apresenta partes verdes porque é totalmente aclorofilada, ou seja, não possui clorofila para converter luz em energia. Seus brotos aparecem no chão da floresta quando chega o período reprodutivo, enquanto grande parte da planta permanece escondida entre o solo e a camada de folhas.
O formato também contribuiu para o nome. A flor é escura, possui áreas alaranjadas e apêndices alongados semelhantes a pequenos chifres. O gênero Thismia reúne plantas conhecidas por formas incomuns e por uma vida fortemente ligada ao ambiente subterrâneo.

Como uma planta sem clorofila consegue obter energia?
Sem fotossíntese, ela depende de uma estratégia chamada mico-heterotrofia. A planta se conecta a fungos associados ao solo e obtém deles carbono e nutrientes. Isso permite que sobreviva em locais sombreados, onde folhas verdes e exposição direta à luz não fazem parte do seu modo de vida.
O trabalho científico sobre a espécie, disponível no registro completo da pesquisa, descreve raízes coraloides, flores enegrecidas e estruturas internas muito específicas. Análises moleculares também ajudaram a posicioná-la entre parentes próximos dentro do próprio gênero.
Quão pequena é a única população conhecida?
Os pesquisadores encontraram a planta em floresta montana baixa, entre aproximadamente 950 e 970 metros de altitude. A única população confirmada ocupa menos de 0,05 quilômetro quadrado e reúne menos de 50 indivíduos conhecidos, concentração que torna qualquer alteração local especialmente relevante.
Os dados centrais da descoberta são:
- Uma população: todos os exemplares conhecidos vêm do mesmo parque.
- Menos de 50 indivíduos: a quantidade observada permanece extremamente pequena.
- Área restrita: o núcleo conhecido ocupa menos de 0,05 quilômetro quadrado.
- Habitat protegido: a população está dentro de um parque nacional tailandês.

Por que a espécie já recebeu uma avaliação de ameaça tão alta?
Mesmo dentro de uma área protegida, a concentração em um único ponto cria vulnerabilidade. O estudo taxonômico da espécie propõe preliminarmente a categoria Criticamente Em Perigo, considerando a distribuição minúscula, a quantidade conhecida de plantas e a pressão de visitas no local.
O risco também está ligado à própria biologia da planta. Como a sobrevivência depende de fungos subterrâneos, preservar apenas a flor visível não basta. Alterações no solo, na umidade, na camada de folhas ou na comunidade de fungos podem modificar o ambiente do qual ela depende.
O que ainda falta saber sobre a “flor do diabo”?
A descoberta descreve apenas a população conhecida, não necessariamente toda a distribuição real. Áreas semelhantes no oeste da Tailândia e em regiões próximas podem esconder outros exemplares. Por isso, novas buscas de campo serão importantes para determinar se a espécie é realmente tão restrita quanto os registros atuais sugerem.
Também resta compreender melhor sua associação com fungos, polinização e ciclo de vida. Por enquanto, a Thismia daemona combina três características raras em um único organismo: quase não aparece acima do solo, depende de outros seres para obter nutrientes e já foi encontrada em números extremamente reduzidos.
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