Em morcegos vespertilionídeos, pesquisadores encontraram uma duplicação dos genes de anticorpos que não era conhecida em outros mamíferos. O estudo confirmou dois loci de cadeia pesada em 26 espécies examinadas, pertencentes a uma família de morcegos que reúne centenas de espécies espalhadas pelo planeta.
O que significa ter dois sistemas de genes de anticorpos?
Anticorpos possuem cadeias pesadas e leves, produzidas a partir de regiões específicas do DNA. Nos mamíferos estudados anteriormente, a cadeia pesada vinha de um único locus de imunoglobulina. Nos vespertilionídeos examinados, pesquisadores encontraram dois loci completos posicionados em cromossomos diferentes.
A família Vespertilionidae é uma das maiores entre os morcegos. O resultado não significa que cada uma de suas centenas de espécies tenha sido sequenciada no trabalho, mas mostra uma arquitetura genética inesperada em várias espécies examinadas dentro desse grupo.

O que o estudo confirmou nas espécies analisadas?
Publicado na Science Advances, o estudo Immunoglobulin heavy chain locus duplication in bats identificou dois loci IgH em 26 espécies examinadas. Em uma espécie-modelo, ambos passaram por rearranjo funcional e foram efetivamente expressos por células produtoras de anticorpos.
Isso mostra que a duplicação não é apenas uma sequência extra e inativa no genoma. Os dois conjuntos podem contribuir para o repertório de anticorpos, embora apresentem diferenças na maneira como combinam segmentos genéticos e participam da resposta imune.
Como os dois loci podem ampliar a variedade de anticorpos?
Cada locus contém conjuntos de segmentos que podem ser recombinados durante o desenvolvimento das células B. Ter duas regiões completas cria mais caminhos genéticos possíveis para montar cadeias pesadas, acrescentando diversidade a um sistema que já depende de várias combinações e modificações posteriores.
Os pontos principais são:
- Dois cromossomos: os loci de cadeia pesada ficam separados no genoma.
- Uso funcional: os dois conjuntos podem formar sequências de anticorpos.
- Repertórios distintos: cada locus apresenta padrões próprios de genes variáveis.
- Origem antiga: a duplicação provavelmente surgiu na evolução dos vespertilionídeos.

Isso já explica por que morcegos toleram tantos vírus?
A resposta ainda é não. A análise institucional da descoberta apresenta a duplicação como uma peça nova do quebra-cabeça, não como uma explicação completa. A capacidade de hospedar vírus envolve muitos componentes celulares, metabólicos e imunológicos.
O achado amplia principalmente o que se sabe sobre imunidade adaptativa de morcegos. Pesquisas futuras precisarão testar respostas a infecções e vacinas para descobrir se os dois loci mudam proteção, reconhecimento de patógenos ou seleção de anticorpos em condições reais.
Por que essa descoberta muda a maneira de estudar a imunidade dos morcegos?
Experimentos que assumiam uma organização semelhante à de outros mamíferos podem ter deixado parte da resposta de fora. Conhecer os dois loci permite desenhar reagentes e sequenciamentos capazes de medir ambos os conjuntos de anticorpos, evitando que um deles fique invisível nas análises.
O resultado também mostra como comparações com humanos e camundongos têm limites. A imunidade dos morcegos pode usar uma arquitetura genética diferente sem abandonar mecanismos conhecidos dos mamíferos. A partir daqui, o desafio é descobrir o que essa duplicação realmente faz durante infecções, vacinação e exposição natural a patógenos.
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