Quem já pensou em ter uma casa de campo conhece a dúvida: vale a pena manter um imóvel que passa a maior parte do mês fechado? A pergunta faz sentido. A casa de fim de semana tradicional pede caseiro, manutenção e uma rotina de idas e vindas que nem sempre se cumpre, e muita casa acaba virando endereço só de feriado.
Parte dos projetos de alto padrão tenta responder a essa dúvida mudando o formato. Em vez da casa isolada, a segunda residência passa a ficar dentro de uma estrutura de clube, com programação própria e uma comunidade que se conhece. Um exemplo é a Fazenda do Lago, do Grupo CPR, em Abadiânia (GO), às margens do Lago Corumbá IV, a 109 quilômetros de Brasília pelo asfalto da BR-060.
A conta é de uso
O que define se a segunda residência vale a pena é quanto ela será vivida. No projeto goiano, o masterplan prevê marina, piscina de ondas, campo de golfe, haras, clube de tênis, centro de bem-estar com spa e um hotel dentro do clube, para que o fim de semana não termine no domingo. A ideia é que a família tenha o que fazer do café ao pôr do sol sem sair do perímetro, e que o sábado não dependa de abrir a casa e colocá-la para funcionar.
Também entram na conta os itens que pesam para quem tem filhos: kids village, ambulatório dentro do perímetro e, no centro de bem-estar, academia, piscinas aquecidas e espaços de meditação e yoga. Sem eles, a casa de campo vira programa de adulto; com eles, vira rotina de família.
A comunidade chega antes da casa
Outro ponto que pesa é com quem se divide o lugar. Na Fazenda do Lago, entra-se por aprovação, por meio de uma curadoria, e a convivência começa antes de a casa ficar pronta.
“A curadoria não é sobre quem fica de fora. É sobre a qualidade do convívio de quem está dentro. O que vendemos, no fim, é a vizinhança”, afirma Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.
“O cliente passa a fazer parte de uma comunidade logo na aquisição, com eventos no local, nas capitais dos estados e até em São Paulo, e desfruta de benefícios da sua concierge de atendimento. O Brasil não tem nada parecido: o cliente é o centro de tudo, depois falamos de metro quadrado”, diz o executivo.
O movimento aparece nos números. Pelo Censo 2022 do IBGE, um em cada três domicílios de Abadiânia é de uso ocasional, a categoria das casas de fim de semana e férias. Em 2010, eram 12,5%.
E a estrada?
Distância é o outro fator que decide se a casa vai ser usada. A Fazenda do Lago fica a 109 quilômetros de Brasília, com acesso 100% asfaltado pela BR-060, à beira de um lago de cerca de 173 quilômetros quadrados de espelho d’água que, desde 2022, também ajuda a abastecer o Distrito Federal. É uma distância que cabe numa saída de sexta à noite, sem estrada de terra no caminho.
Então, vale a pena?
A resposta depende menos do imóvel e mais do que vem com ele. Antes de decidir, vale fazer três perguntas. A estrutura sustenta o uso frequente, e não só o feriado? A documentação está em ordem? Na Fazenda do Lago, por exemplo, a primeira fase, com 472 lotes em 32 quadras, está registrada em cartório. E existe uma comunidade que dê vontade de voltar? Quando a casa de fim de semana deixa de ficar fechada à espera do sábado, a pergunta muda de “vale a pena ter?” para “quando a gente vai?”.
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