Quem sonha em voar costuma pensar nos destinos, mas a rotina de um comissário de bordo tem regras bem terrenas, e elas estão na lei. A Lei 13.475, de 2017, a Lei do Aeronauta, limita a jornada no transporte aéreo regular a 9 horas em tripulação simples, 12 horas em tripulação composta e 16 horas em tripulação de revezamento, e assegura ao menos 10 folgas por mês, das quais pelo menos duas num sábado e domingo consecutivos.
Conhecer essas regras antes de começar faz parte de escolher bem a profissão. Para quem ainda vai estudar, o CEAB, escola de aviação civil com 27 anos de mercado, forma comissários nas modalidades presencial e a distância, com uma etapa prática concentrada que o aluno de outro estado resolve numa viagem de dois dias.
Jornada
No transporte aéreo regular, o limite muda conforme a composição da tripulação: 9 horas em tripulação simples, 12 horas em tripulação composta e 16 horas em tripulação de revezamento.
Folgas
A lei assegura ao menos 10 folgas por mês. Pelo menos duas delas precisam cair num sábado e domingo consecutivos.
Quem pode ser comissário
A Lei do Aeronauta também reserva a profissão a brasileiros natos ou naturalizados. Empresas brasileiras em serviço aéreo internacional podem ter comissários estrangeiros a bordo, desde que eles não passem de um terço dos comissários da aeronave. Nas seleções, a LATAM coloca o curso profissionalizante de comissário de voo entre os requisitos, ao lado de ensino médio completo, passaporte válido, Certificado Médico Aeronáutico e vacina contra febre amarela. Inglês ou espanhol contam como diferencial na LATAM e são requisito, em nível de conversação, no banco de talentos da Gol.
“Durante muito tempo, quem queria voar e morava longe de São Paulo precisava se mudar antes mesmo de saber se a profissão era para ele. O ensino a distância inverteu essa ordem: a pessoa estuda de onde está e só viaja para a parte que exige presença”, diz Salmeron Cardoso, diretor e CEO do CEAB.
Como é a formação
No modelo a distância, a teoria acompanha o aluno em qualquer cidade, e a decisão de investir na carreira deixa de depender de uma mudança. Também muda quem consegue chegar: gente que trabalha em outra área, mora no interior ou não pode passar meses longe de casa. A parte prática fica concentrada numa imersão presencial na selva. Para a turma da modalidade a distância que acaba de concluir a etapa prática, a formação fecha com um Open Day opcional, no dia seguinte à selva: palestras sobre o mercado de trabalho e aulas de postura, etiqueta e apresentação pessoal, num hotel de alto padrão.
E tem vaga?
Na América Latina, a conta chega a 136 mil pessoas: 38 mil pilotos, 42 mil técnicos de manutenção e 56 mil comissários, segundo projeção da Boeing até 2045. A LATAM contratou mais de 700 comissários e pilotos no Brasil em 2025 e abriu no fim do ano passado um processo seletivo de tripulantes com contratações previstas ao longo de 2026.
“A projeção de demanda é boa notícia, mas não baixa a régua. A companhia continua escolhendo quem chega pronto, e a escola que forma em escala precisa cuidar para que a prática não fique mais fraca por causa disso”, afirma o diretor.
“Escola de aviação não cresce vendendo matrícula. Cresce quando o aluno formado é chamado, porque é isso que traz o próximo aluno”, diz Salmeron.
Voar é a parte bonita da história. Saber como funcionam jornada, folgas e seleção é o que ajuda a escolher a profissão sabendo exatamente onde se está pisando.
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