A reforma tributária não chega de uma vez. A troca de impostos acontece em etapas até 2033, e as viagens a trabalho, com passagens, hotéis e carros alugados, passam por todas elas. Entender o calendário ajuda a empresa a se organizar com antecedência.

E o assunto mexe com muito dinheiro. Segundo a Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas), as agências associadas faturaram R$ 11,07 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, alta de 7,41% em relação ao mesmo período de 2025.

Para Patrick Tytgadt, CEO e Founder da Loupit, Travel Tech de viagens corporativas, esse calendário exige planejamento dos processos e dos sistemas. Durante a transição, as equipes precisarão entender a convivência dos tributos e acompanhar as exigências de cada fornecedor.

2026, o ano de testes

Neste ano, o sistema passa por testes, com alíquotas de 0,9% para a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e de 0,1% para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). Quem cumpre as obrigações acessórias aplicáveis fica dispensado do recolhimento.

Há uma data importante ainda em 2026. Em 1º de dezembro, começa a obrigatoriedade do BP-e (Bilhete de Passagem Eletrônico) no transporte aéreo de passageiros, segundo o cronograma da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS. No mesmo dia, a NFS-e (Nota Fiscal de Serviços Eletrônica) passa a valer nas locações de bens móveis, como o aluguel de carros.

Com o novo documento, fica mais claro que a fatura consolidada, que junta passagens, hotéis e taxas, facilita o pagamento, mas não substitui os documentos fiscais de cada contratação.

2027, a CBS no lugar de PIS e Cofins

No ano que vem, a CBS, que é federal, substitui PIS e Cofins. É também quando o tema dos créditos ganha peso no orçamento das viagens. A lei permite créditos relativos à intermediação prestada por agência de turismo, observadas as condições legais, mas veda o crédito ao adquirente de hospedagem.

Na prática, uma reserva de hotel feita por uma agência de viagens corporativas reúne serviços com regras diferentes, e o eventual crédito sobre a intermediação não vale para a diária.

“O orçamento de viagens precisa refletir os créditos que a empresa pode efetivamente aproveitar. Tratar toda a fatura como crédito recuperável distorce a análise do custo”, explica Tytgadt.

De 2029 a 2032, ICMS e ISS diminuem

Nesse período, ICMS e ISS são reduzidos aos poucos, enquanto o IBS, de competência compartilhada entre estados, municípios e Distrito Federal, ganha espaço. A conclusão da transição está prevista para 2033.

Quem já está pronto

A pesquisa Panorama da Reforma Tributária 2026, da Grant Thornton em parceria com a ANEFAC (Associação Nacional de Executivos), ouviu 115 empresas entre abril e junho e mostra que 14% se consideram muito preparadas para a implementação da reforma. Ao mesmo tempo, 77% já concluíram ou estão fazendo simulações de impacto.

A tecnologia pode ajudar a atravessar as etapas. No modelo de marketplace de viagens corporativas da Loupit, as empresas comparam ofertas de diferentes agências selecionadas e centralizam políticas e informações de viagens e despesas.

“A empresa precisa conseguir acompanhar cada despesa desde a contratação até a conferência do documento correspondente. Quando os dados estão incompletos na origem, o financeiro acaba dedicando tempo a corrigir problemas que poderiam ter sido evitados”, afirma Tytgadt.

Resumindo o calendário: 2026 é ano de testes, com o BP-e obrigatório nas passagens aéreas a partir de dezembro; a CBS substitui PIS e Cofins em 2027; ICMS e ISS caem entre 2029 e 2032; e a transição termina em 2033.

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