Se você tem uma empresa de serviços no Lucro Presumido, vale fazer a pergunta sem rodeio: vou pagar mais imposto em 2027? Para muita gente, a tendência é que sim, e o motivo está numa troca de regime que acontece logo na virada do ano.
Hoje, quem está no Presumido paga PIS e Cofins no modelo cumulativo, com alíquota somada de 3,65% sobre a receita e sem direito a crédito. A partir de 1º de janeiro de 2027, pelo calendário da Lei Complementar 214/2025, PIS e Cofins acabam e entra a CBS, cobrada integralmente. Essas empresas passam ao regime regular, que tem alíquota maior e permite crédito sobre o que se compra. O detalhe é que prestadora de serviço costuma comprar pouco insumo. Pouco insumo, pouco crédito, e a conta líquida tende a subir.
Ainda tem um ingrediente de suspense: a alíquota de referência não foi definida. O TCU homologou o cálculo em 28 de outubro, mas o Senado tem até 15 de dezembro para fixar o número. As projeções falam em algo perto de 9%, mas o TCU definiu em 11,3%. Enquanto isso, a vida das empresas segue normal, com contratos anuais vencendo e sendo renovados entre outubro e dezembro.
E é aí que mora o pulo do gato. O contrato assinado nessa temporada vai valer quase todo sob a CBS. Se o preço for fechado do jeito de sempre, “com impostos inclusos” e corrigido pela inflação, a margem pode encolher sem que ninguém perceba na hora. A CBS é calculada por fora, não entra na própria base e dá crédito amplo para o cliente no regime regular, então um preço único deixa de mostrar quem ganha o quê.
“O contrato que a empresa assina em novembro é o preço que ela vai praticar em 2027. Se a margem não for revisada antes da assinatura, a reforma revisa por ela, e quase sempre para baixo”, resume Carlos Gago, CEO da Trinity Consultoria Tributária.
Nem todo cliente reage igual ao repasse. Empresa do Presumido ou do Real no regime regular aproveita o crédito destacado na nota, e para ela o repasse transparente pesa pouco. Já o consumidor final e quem continua no Simples sem optar pelo regime regular sentem como aumento de preço. Por isso a dica é separar o valor do serviço dos tributos no contrato, com CBS e IBS destacados, e prever revisão quando a alíquota for fixada ou mudar, porque entre empresas privadas não tem gatilho automático.
Para fazer essa conta com calma, a Trinity oferece como primeira fase um diagnóstico sem custo, feito junto com o contador da empresa, que é quem conhece a operação. “A gente não substitui o contador, a gente dá a ele a simulação tributária contrato a contrato, para que a empresa entre na negociação sabendo qual é o preço mínimo que preserva a margem”, conta Gago. Vale mais para quem está no Presumido ou no Real e tem contratos recorrentes com outras empresas. Quem vai continuar no Simples, ou trabalha com contratos curtos que dá para reprecificar a qualquer momento, tem menos a ganhar.
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