Ela trabalhou 23 anos em empresas, começou a atender como terapeuta aos 42 e, em agosto, tomou posse como acadêmica imortal. Elaine Taboada, psicóloga, mentora e empresária radicada no Rio de Janeiro, agora ocupa a cadeira 29 da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura, no colegiado de Ciências da Saúde. O nome dela já aparece na lista de acadêmicos da instituição.

Em poucos anos, ela estruturou uma clínica, uma academia online e comunidades voltadas a mulheres e famílias, conjunto que ajuda a entender o reconhecimento.

A patronesse da cadeira

Cada cadeira da academia tem um patrono. A de Elaine é da terapeuta norte-americana Virginia Satir (1916-1988), uma das principais referências da terapia familiar sistêmica do século 20, reconhecida no mundo todo como terapeuta, palestrante, trainer e escritora. A ideia central de Satir é fácil de entender: em vez de procurar o problema em uma pessoa só, ela via cada um como parte de um sistema de relações, principalmente a família. Para ela, a cura passa por restaurar a comunicação, fortalecer a autoestima e criar relações mais autênticas. Um de seus métodos, a reconstrução familiar, revisita a história das gerações anteriores.

Uma curiosidade: Satir foi uma das terapeutas que Richard Bandler e John Grinder estudaram para criar o Meta Modelo e técnicas básicas da PNL (Programação Neurolinguística). Ela também foi pioneira no olhar sistêmico e no cuidado com o feminino, que é a base do trabalho de Elaine e o que liga as duas.

“Receber a cadeira de alguém tão marcante para a história da terapia familiar me preenche de um profundo senso de responsabilidade. Firmo o compromisso de honrar e dar continuidade a quem veio antes de mim e de contribuir para a construção de famílias, relações e uma sociedade mais saudável: um mundo melhor para nós e para as futuras gerações. Sigo comprometida com a evolução da ciência, da saúde, da humanidade, do empoderamento feminino, e de um novo mundo”, afirma Elaine.

A virada de carreira

A trajetória de Elaine tem três etapas, e ela mesma a compara à jornada do herói. A primeira foi no mundo corporativo. Formada em Administração, fez carreira em recursos humanos, finanças e marketing, sempre de olho em performance, carreira e negócio. Como gestora de RH, teve o autoconhecimento como eixo e, desde 2010, fez centenas de cursos de desenvolvimento humano.

A segunda começou em 2019, depois de deixar as empresas em 2018, quando passou a atuar como terapeuta. Nesse início, depois de diversas formações terapêuticas, a experiência veio da pesquisa ligada ao câncer e do método da troca justa.

A terceira foi realizar um sonho que tinha ficado de lado: cursar Psicologia. A graduação começou durante a pandemia e terminou em 2024. São formações distintas, ambas de base sistêmica.

“Construí cada projeto à medida que fui reconstruindo a minha própria vida”, conta.

No consultório, Elaine segue a linha de Satir: procura entender os ciclos geracionais que se repetem nas famílias, de uma geração para outra, e ajudar a interromper essa repetição.

O que ela criou

Em 2023, Elaine fundou o Instituto Integrativo AlmaÚnica, clínica focada em saúde mental, emocional e treinamento com conceito boutique de bem-estar na Barra da Tijuca, e uma comunidade de mulheres, que também tem uma versão online, com alunas no Brasil e no exterior e um encontro coletivo por mês. No Rio, há rodas de conversa, a Confraria, mesa de negócios entre mulheres que se reúne em um restaurante, e o Clube Terapêutico. Desde 2024, ela também é anfitriã da Aliança Divergente e lidera, como voluntária, a comunidade Cariocas Divergentes. Somando todas as comunidades, são 3 mil pessoas, pelas contas dela. A missão, segundo ela, é apoiar mulheres e famílias na construção de lares e negócios saudáveis. A comunidade, o Clube Terapêutico, a Academia e a Confraria são voltados a mulheres; o Instituto AlmaÚnica e a Cariocas Divergentes recebem todos os públicos.

Por que o foco nas mulheres

As mulheres estão no centro dos projetos, embora o consultório receba a família toda, inclusive casais e homens. Os números dão a dimensão do tema. Segundo o relatório World Mental Health Today, da OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo, e as mulheres são as mais afetadas. No Brasil, dos 546.254 benefícios por incapacidade temporária concedidos pela Previdência Social por transtornos mentais e comportamentais em 2025, 63,46% foram para mulheres, numa alta de 15,66% em relação a 2024. Em casa, a diferença também aparece: em 2022, elas dedicaram 21,3 horas por semana a tarefas domésticas e cuidados, contra 11,7 dos homens, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“Ter uma vida saudável e feliz é entregar ao mundo uma vida melhor do que a que recebemos”, diz.

Onde acompanhar

Quem quiser conhecer o trabalho dela pode assistir ao canal do Instituto AlmaÚnica no YouTube e a participações como a de um podcast recente.

Elaine Taboada é psicóloga, mentora e empresária, fundadora do Instituto Integrativo AlmaÚnica e de uma comunidade de mulheres. Desde agosto, ocupa a cadeira de Virginia Satir na Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura, com a intenção de levar adiante o legado da terapeuta.

“Conhecimento só ganha sentido quando transforma vidas. Conhecimento sem decisão de mudança e ação nesta direção não gera novos resultados”, resume.

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