A pergunta aparece logo no começo da pesquisa de quem quer trabalhar a bordo: quanto tempo leva para se formar? No curso a distância, a parte teórica dura cerca de cinco meses e é feita pela internet, de qualquer cidade. A prática fica concentrada numa etapa presencial.

É assim no CEAB (Centro Educacional de Aviação do Brasil), escola de aviação civil com 27 anos de mercado, em que a modalidade a distância segue a mesma régua de saída da turma presencial de São Paulo: mesmo conteúdo e mesmas práticas de emergência.

1. A teoria, no seu ritmo

A plataforma online usa realidade virtual 360° e simuladores, e o aluno organiza o estudo no próprio ritmo, o que ajuda quem trabalha. Segundo a escola, o conteúdo inclui serviço de bordo, postura e etiqueta, maquiagem, uso de simulador e antiterrorismo, além da sobrevivência na selva. Os primeiros socorros são um módulo que atravessa todo o curso.

“No ensino a distância, o aluno é dono do próprio horário, e isso também faz parte da formação. Quem organiza cinco meses de estudo por conta própria chega à seleção com a disciplina que a escala de voo vai cobrar”, diz Salmeron Cardoso, diretor e CEO do CEAB.

2. A imersão, em um dia

A parte prática é uma imersão na selva, feita presencialmente em um dia no centro de treinamento próprio da escola, a cerca de 74 quilômetros da capital paulista, com o ponto de origem sendo a unidade da Consolação. A turma passa por combate ao fogo, marinharia e sobrevivência, com instrutores vindos do mercado aéreo, e aprende a fazer fogo e abrigo, a usar a bússola e a preparar armadilhas. É desse momento que sai o certificado de treinamento prático, e o treinamento foi registrado em vídeo.

“O aluno a distância estuda sozinho, mas não pratica sozinho. Na imersão, ele precisa decidir em grupo, dividir tarefas e confiar em quem está do lado, que é exatamente o que uma tripulação faz”, afirma Salmeron.

O apoio no caminho

Durante os meses de teoria, a unidade de Curitiba funciona como ponto de suporte para os alunos a distância, com laboratório para atividades e cursos complementares. E os alunos em curso, do ensino a distância ao presencial, têm acesso a um aplicativo de saúde da VoxCare, empresa parceira da escola, com teleconsulta médica e apoio psicológico.

3. A papelada, em paralelo

Enquanto estuda, o aluno pode organizar o que não depende da escola. O Certificado Médico Aeronáutico (CMA) precisa estar válido na inscrição da Gol, que pede o de segunda classe, e ter pelo menos um ano de validade no processo da LATAM. O passaporte deve valer por no mínimo seis meses na Gol, e a vacina contra febre amarela está entre os requisitos da LATAM.

“A escola cuida da formação. Exame médico, passaporte e idioma ficam com o aluno, e quem deixa essa lista para depois da formatura chega atrasado à primeira seleção que abrir”, diz o diretor.

4. Depois do curso

Com a formação concluída, vem a inscrição nas seleções. A LATAM, que contratou mais de 700 comissários e pilotos no Brasil em 2025, abriu no fim do ano passado um processo seletivo de tripulantes com contratações previstas ao longo de 2026, e a Gol mantém inscrições abertas para um banco de talentos de comissários de voo. Quem é aprovado ainda passa pelo treinamento da própria companhia: na Emirates, que recruta tripulantes para voar a partir de Dubai, são sete semanas e meia antes de voar.

Na conta final, o curso a distância soma cerca de cinco meses de teoria e um dia de imersão presencial. O tempo até a primeira seleção depende do que o aluno resolve em paralelo: documentos em dia e idioma no nível que a companhia pede.

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