Um provérbio persa sobre impermanência provoca porque toca dois extremos da experiência humana ao mesmo tempo: o sofrimento que parece eterno e a conquista que parece definitiva. A reflexão aponta para algo desconfortável e libertador — nenhum dos dois estados dura para sempre.
“O que dói vai passar — e é exatamente por isso que o que é bom também merece ser vivido com atenção.”
O que o provérbio persa quer dizer?
“Isso também vai passar.” A frase, segundo a lenda, foi gravada em um anel para lembrar um rei tanto nos momentos de vitória quanto nos de derrota. Ela não escolhe lado: aplica-se igualmente à dor mais profunda e à conquista mais celebrada.
O provérbio não promete conforto barato diante do sofrimento, nem convida ao desapego da alegria. Ele lembra que todo estado emocional, por mais intenso que pareça, tem um caráter transitório — e essa transitoriedade é o que torna suportável a dor e mais valiosa a conquista.

De onde vem essa sabedoria e por que ela persiste?
A frase tem origem em uma antiga lenda persa sobre um rei que pediu a seus sábios uma frase capaz de trazer equilíbrio tanto na tristeza quanto na euforia. A resposta — “isso também vai passar” — atravessou séculos justamente por funcionar nos dois extremos da experiência.
Esse tipo de ensinamento persiste porque descreve uma lei observável em qualquer época: nenhum estado, bom ou ruim, permanece estático. A impermanência não é exceção, é a regra que rege tanto o sofrimento quanto o sucesso.
Por que esse ensinamento ainda faz sentido hoje?
Na dor, é comum sentir que o sofrimento atual vai durar para sempre, o que intensifica o desespero. Na conquista, é comum tratar o momento de sucesso como permanente, o que gera acomodação ou medo excessivo de perdê-lo. Os dois excessos ignoram a mesma lei.
Essa lógica aparece em situações muito comuns:
- Sentir que uma fase de sofrimento nunca vai terminar, mesmo sabendo racionalmente que fases passam.
- Tratar um sucesso recente como garantia permanente, sem continuar cuidando do que o sustenta.
- Perder a capacidade de aproveitar um bom momento por medo de que ele acabe.
- Recusar-se a pedir ajuda durante uma crise, por achar que nada vai mudar mesmo.
- Olhar para trás e perceber que tanto a pior fase quanto a melhor já passaram, como previsto.

Como essa reflexão se aplica na prática?
Aplicar essa consciência exige lembrar da impermanência nos dois sentidos: usá-la como alívio durante a dificuldade e como convite à presença durante a conquista, sem deixar que nenhuma das duas vire identidade fixa.
Esse aprendizado aparece quando a percepção muda de foco:
- Lembrar, durante momentos difíceis, que fases têm início, meio e fim.
- Aproveitar conquistas com presença, sem depender delas para sustentar autoestima.
- Evitar decisões definitivas tomadas sob o peso de um momento passageiro.
- Cultivar hábitos consistentes que sobrevivam tanto às fases boas quanto às ruins.
Que lição esse provérbio deixa para a vida diária?
O provérbio persa continua atual porque devolve proporção a dois extremos que a mente tende a exagerar: o sofrimento tratado como eterno e a conquista tratada como permanente. Nenhum dos dois é.
A lição não é buscar indiferença emocional, mas lembrar que tudo o que se vive, doa ou celebre, está em movimento. Essa consciência não diminui a intensidade da experiência — apenas evita que ela se torne prisão ou ilusão de eternidade.
Tópicos relacionados: provérbio persa, impermanência, filosofia, sabedoria antiga
O post Provérbio persa do dia: “Isso também vai passar” — uma lição sobre o que a impermanência ensina tanto na dor quanto na conquista apareceu primeiro em UAI Notícias.