No pavilhão KnitCandela, uma casca curva de quase 50 m² e mais de 5 toneladas nasceu sobre uma fôrma que pesava apenas 55 kg. Em vez de um molde rígido e pesado, a equipe usou uma malha tricotada em 3D, tensionada por cabos e endurecida com pasta de cimento antes da aplicação manual do concreto sobre a superfície.
Como a casca curva ganhou forma sem uma fôrma rígida?
O KnitCandela foi criado com uma rede de cabos e um tecido técnico produzido sob medida. Em vez de montar painéis rígidos com a geometria final, a equipe tensionou esse conjunto dentro de uma armação temporária de madeira e aço.
A forma desejada apareceu quando cabos, tecido e tensão chegaram às posições calculadas digitalmente. Isso permitiu gerar uma superfície de dupla curvatura sem fabricar um molde volumoso para cada trecho, justamente uma das etapas que costuma aumentar material, trabalho e descarte em geometrias não convencionais.

Por que o molde pesava só 55 kg para sustentar mais de 5 toneladas?
Os quase 50 m² de fôrma flexível pesavam apenas 55 kg no conjunto, enquanto a estrutura pronta ultrapassou 5 toneladas. Essa diferença é possível porque o tecido não trabalha sozinho: a rede de cabos recebe as principais forças durante a moldagem e transfere a tensão para a armação temporária.
A leveza também mudou a logística. A parte têxtil foi produzida na Suíça e transportada para o México em bagagem comum. O ganho estava em levar informação geométrica em tecido, em vez de transportar peças rígidas, grandes e pesadas já conformadas para a obra.
Como o tricô 3D virou uma fôrma estrutural?
A malha foi produzida em dupla camada, com canais e bolsos incorporados durante o tricô. Essa solução permitiu posicionar cabos e criar vazios internos usando balões simples. O resultado foi uma fôrma programada durante a fabricação, com funções que normalmente exigiriam várias peças montadas depois.
O sistema foi desenvolvido em colaboração com o grupo computacional de Zaha Hadid Architects. A equipe usou o desenho digital para definir tanto a geometria quanto o padrão do tecido, aproximando projeto e fabricação em uma única sequência.

Que etapas transformaram tecido flexível em superfície de concreto?
Depois de tensionado, o tecido ainda precisava ficar rígido o bastante para receber material úmido. Uma pasta de cimento de pega rápida foi aplicada primeiro, criando uma camada inicial que reduzia deformações. Só então o concreto reforçado com fibras foi colocado manualmente sobre a superfície já estabilizada.
A sequência principal foi esta:
- Tricotar: produzir as faixas têxteis com canais, bolsos e geometria prevista.
- Tensionar: prender tecido e cabos à armação até alcançar a forma calculada.
- Endurecer: aplicar a pasta de cimento antes das camadas estruturais definitivas.
O que esse experimento muda na lógica das fôrmas complexas?
A ligação com Zaha Hadid aparece na busca por geometrias fluidas, mas o avanço construtivo está em outra frente: reduzir o volume de material necessário para moldar superfícies difíceis. A fôrma deixa de ser uma massa rígida e passa a ser um sistema leve tensionado.
O KnitCandela mostra que complexidade geométrica não precisa significar fôrma igualmente pesada. Ao concentrar a precisão no modelo digital, no padrão de tricô e na posição dos cabos, a construção pode usar menos material temporário e simplificar transporte, montagem e descarte após a concretagem.
O post Para moldar uma casca curva de concreto com 50 m² e apenas 5 toneladas, engenheiros fizeram a própria fôrma ser tricotada em 3D antes de receber a mistura estrutural apareceu primeiro em UAI Notícias.