Nos lagos profundos Manapōuri e Te Anau, na Nova Zelândia, cientistas baixaram armadilhas a centenas de metros usando 2 km de corda e Marmite como isca. Encontraram peixes muito além dos antigos registros de 90 metros, alguns com olhos e poros sensoriais grandes, características que agora serão testadas geneticamente.

Por que quase ninguém sabia o que vivia nas partes mais profundas desses lagos?

Os registros anteriores de peixes nos grandes lagos neozelandeses chegavam a cerca de 90 metros. Isso deixava centenas de metros praticamente sem observação direta. A expedição aos lagos profundos procurou justamente preencher essa lacuna.

A sonda de profundidade usada na expedição mediu 467 metros em Manapōuri e 430 metros em Te Anau. Para alcançar diferentes níveis, a equipe precisou de 2 quilômetros de corda e armadilhas capazes de permanecer submersas até o dia seguinte.

Para descobrir o que existia em lagos de até 467 metros, cientistas desceram armadilhas com 2 km de corda e usaram Marmite como isca
Peixes encontrados nas profundezas de lagos da Nova Zelândia

Por que Marmite virou isca em uma pesquisa científica?

A pasta salgada e de cheiro forte foi usada para atrair animais até as armadilhas. Com Marmite como isca, os pesquisadores puderam deixar os equipamentos trabalhando sozinhos em locais onde pressão, escuridão e distância dificultam observações diretas.

Quando as armadilhas voltaram à superfície, havia peixes em diferentes profundidades. A descoberta mostrou que a vida não terminava nos 90 metros dos registros anteriores e abriu uma nova pergunta: os exemplares mais profundos eram populações conhecidas adaptadas ao ambiente ou algo taxonomicamente diferente?

Que peixes apareceram depois de puxar as armadilhas de volta?

Entre os animais estavam peixes nativos conhecidos como bullies e galaxiídeos. Alguns galaxiídeos lembram kōaro, mas apresentaram características incomuns. Os exemplares de águas profundas tinham olhos proporcionalmente grandes e poros sensoriais muito desenvolvidos no topo da cabeça, estruturas úteis em ambientes com pouquíssima luz.

Os principais achados da coleta foram:

  • Peixes em grandes profundidades: armadilhas capturaram animais muito abaixo dos registros anteriores.
  • Olhos maiores: alguns galaxiídeos diferem visualmente das formas normalmente reconhecidas como kōaro.
  • Poros sensoriais amplos: essas estruturas podem ajudar na orientação em águas escuras.
  • Identidade aberta: testes genéticos ainda precisam definir se existe uma nova espécie.

O que torna Manapōuri e Te Anau tão difíceis de investigar?

Os dois lagos foram moldados por geleiras e possuem grandes volumes de água cercados por relevo montanhoso. O lago Manapōuri fica dentro de Fiordland, região marcada por bacias profundas, encostas íngremes e ambientes aquáticos que permanecem pouco acessíveis longe das margens.

A própria história glacial de Manapōuri ajuda a explicar essa topografia. O gelo escavou depressões profundas antes de recuar, deixando lagos onde investigar o fundo exige equipamento capaz de atravessar centenas de metros de água.

Galaxiid_fish_in_sampling_trap_202609080018-1024x572 Para descobrir o que existia em lagos de até 467 metros, cientistas desceram armadilhas com 2 km de corda e usaram Marmite como isca
Peixes encontrados nas profundezas de lagos da Nova Zelândia

Como os testes genéticos podem mudar a interpretação desses peixes?

A aparência sozinha não permite afirmar que uma nova espécie foi encontrada. Olhos e poros maiores também podem representar adaptações de uma população conhecida às condições de profundidade. Comparações de DNA poderão mostrar quão próximos esses exemplares são de kōaro registrados em águas mais rasas.

Mesmo que pertençam a uma espécie já conhecida, a coleta amplia muito o limite de habitat documentado. Se a genética revelar uma linhagem distinta, os lagos profundos da Nova Zelândia terão escondido não apenas peixes em profundidades inesperadas, mas uma diversidade que permaneceu fora das amostragens anteriores.

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