Debaixo da região de Kasukabe, no Japão, um sistema de controle de enchentes leva a água por um túnel de 6,3 km a 50 metros de profundidade. O fluxo chega a uma câmara de 177 metros, apoiada por 59 pilares, antes de bombas enviarem até 200 m³/s ao rio Edo quando rios menores sobem durante chuvas intensas.
Por que foi necessário criar um túnel tão profundo?
O canal subterrâneo de controle de enchentes atende uma área baixa e muito urbanizada, onde a água pode se acumular durante temporais. Em vez de depender apenas dos rios superficiais, o sistema cria uma rota subterrânea para retirar parte do excesso antes que ele se espalhe.
A profundidade de 50 metros também reduz a interferência com o uso da superfície. O túnel corre sob uma rodovia, permitindo atravessar uma longa faixa urbana sem abrir uma vala contínua. Assim, a água ganha um caminho próprio abaixo de ruas, construções e redes existentes.

Como o túnel de 6,3 km recebe a água dos rios?
O túnel de 6,3 km conecta cinco poços verticais. Quando os cursos d’água atingem níveis definidos, parte do fluxo entra pelas estruturas de captação, desce pelos poços e passa a seguir pelo canal subterrâneo em direção à estação de bombeamento.
Com cerca de 10 metros de diâmetro interno, a passagem funciona como um rio artificial enterrado. Ela não guarda toda a água em um único reservatório: conduz volumes captados em pontos diferentes para uma sequência planejada de poços, câmara de ajuste e bombas.
Para que servem a câmara de 177 metros e os 59 pilares?
A câmara de 177 metros reduz a força da água antes do bombeamento. Com 78 metros de largura e 18 de altura, ela usa 59 pilares de concreto armado para sustentar a laje superior e o terreno existente sobre a estrutura.
As peças principais trabalham em sequência:
- 5 poços: recebem a água captada nos rios.
- 6,3 km de túnel: conduzem o fluxo a 50 metros de profundidade.
- 59 pilares: sustentam a grande câmara subterrânea.
- 4 bombas: permitem retirar até 200 m³ de água por segundo.

Como a água volta do subterrâneo para um rio maior?
Depois de atravessar o túnel e perder parte de sua energia na câmara, a água chega às bombas. Elas elevam o fluxo até os canais de descarga e o enviam ao rio Edo, que tem capacidade muito maior que os cursos menores interceptados pelo sistema.
O vídeo de turismo oficial de Saitama percorre a enorme câmara e mostra a escala dos pilares de concreto, permitindo comparar o tamanho humano com uma estrutura normalmente escondida dezenas de metros abaixo da superfície. https://www.youtube.com/embed/hyQP6AT8ZyQ
O que torna essa obra diferente de um reservatório comum?
Um reservatório convencional concentra água em uma área visível. Aqui, o sistema subterrâneo espalha funções por quilômetros: captar, fazer o fluxo descer, transportar, estabilizar e bombear. Cada parte resolve uma etapa diferente, mas todas precisam operar como uma única rede durante a cheia.
Por isso, a escala mais impressionante não está apenas na câmara. O conjunto transforma 6,3 km de subsolo em infraestrutura de drenagem e usa profundidade, gravidade e bombeamento para dar uma saída controlada à água antes que ela ocupe ruas e imóveis.
O post Para conter enchentes, o Japão abriu um túnel de 6,3 km a 50 metros de profundidade e uma câmara de 177 metros sustentada por 59 pilares apareceu primeiro em UAI Notícias.