Toda empresa passa por fases difíceis. O problema começa quando o aperto deixa de ser passageiro e vira rotina. Saber reconhecer esse momento ajuda o empresário a decidir se ainda vale insistir ou se chegou a hora de pensar em outro caminho.

Quem lista os sinais de alerta é Agenor de Lima Bento, advogado, professor, mestre em Direito, doutorando em Direito Empresarial e Cidadania, administrador judicial e sócio do De Lima Advogados. Para ele, não existe uma fórmula matemática para definir o momento exato de encerrar um negócio, mas alguns sinais merecem atenção.

Os oito sinais

1. Dinheiro do bolso para pagar a empresa. Quando o dono precisa colocar recursos pessoais com frequência para cobrir as despesas, o negócio já não se sustenta sozinho.

2. Dívida que cresce mesmo após cortes. Se os custos foram reduzidos e o débito continua aumentando, o problema vai além dos gastos.

3. Atraso recorrente com fornecedores, tributos e salários. Pagamentos que atrasam mês após mês mostram falta de fôlego no caixa.

4. Perda estrutural de receita. É a queda de faturamento que se repete e não dá sinais de reversão.

5. Falta de capital de giro. Sem reserva para o dia a dia, qualquer imprevisto vira um novo débito.

6. Renegociações em série sem efeito. Refazer acordos várias vezes sem reduzir o problema apenas empurra a crise para frente.

7. Obrigações que continuam vencendo sem condição de pagamento. As contas novas se somam às antigas.

8. Nenhuma perspectiva concreta de recuperação. É o sinal que resume todos os outros.

Segundo o especialista, esses sinais não significam, isoladamente, que a empresa deva pedir falência. Eles indicam a hora de fazer um diagnóstico econômico e jurídico antes que a situação piore.

Pequenos negócios são os mais pressionados

O acúmulo de contas em atraso aparece com mais força entre os pequenos. De acordo com a Serasa Experian, as micro e pequenas empresas respondiam por 8,7 milhões dos 9,2 milhões de CNPJs negativados no país em julho de 2026. Juntas, somavam 60,5 milhões de dívidas, que chegavam a R$ 206 bilhões.

Reconheceu os sinais. E agora?

O primeiro passo é avaliar se o negócio ainda tem viabilidade. Se tiver, a recuperação judicial pode ajudar a reorganizar as dívidas. Se não tiver, a autofalência, prevista na Lei nº 11.101/2005, permite que a própria empresa peça à Justiça um encerramento organizado, com a reunião dos bens e o tratamento coletivo dos credores. A página de recuperação judicial e falência do escritório De Lima Advogados reúne mais informações sobre os dois caminhos.

“Nem toda empresa endividada precisa falir. Da mesma forma, nem toda empresa em crise deve continuar funcionando a qualquer custo. O empresário precisa avaliar se existe uma perspectiva concreta de recuperação ou se a continuidade da atividade apenas aumentará o passivo”, diz Bento.

Os números mostram que a reorganização tem sido o caminho mais buscado por quem ainda vê saída. Segundo a Serasa Experian, 2.466 empresas estiveram envolvidas em pedidos de recuperação judicial em 2025, contra 698 empresas com pedidos de falência.

Fechar as portas por conta própria, sem um procedimento formal, também não resolve. A empresa que só deixa de funcionar continua com suas obrigações jurídicas em aberto. A chamada dissolução irregular pode gerar uma série de consequências, por isso o ideal é buscar orientação antes de tomar qualquer decisão.

Ficar atento aos oito sinais é a forma mais simples de não deixar a crise ir longe demais. Quanto mais cedo o empresário identifica o problema, mais alternativas tende a ter para decidir o que fazer com a empresa.

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