Quem tem filho ou aluno com deficiência, transtorno do espectro autista ou altas habilidades já deve ter ouvido falar em AEE, sigla para Atendimento Educacional Especializado. Mas afinal, o que é esse serviço e como ele funciona dentro da escola?
Segundo o Decreto nº 7.611/2011, o AEE é o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e recursos pedagógicos oferecidos de forma complementar à formação de estudantes com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento, categoria que inclui o transtorno do espectro autista, e de forma suplementar à formação de estudantes com altas habilidades ou superdotação. Na prática, é o serviço que identifica as barreiras que um estudante enfrenta na escola e organiza os apoios necessários para que ele participe e aprenda como qualquer outro colega.
Esse tipo de atendimento ganhou peso nos últimos anos. O número de matrículas da Educação Especial no Brasil cresceu 227% entre 2011 e 2025 e chegou a cerca de 2,5 milhões, segundo o Instituto Rodrigo Mendes, com base nos dados do Censo Escolar. Em 2025, 93,5% dessas matrículas estavam em classes comuns, de acordo com o Ministério da Educação, ou seja, a maioria dos estudantes atendidos pelo AEE estuda ao lado dos demais colegas, e não em turmas separadas.
Como funciona o trabalho do AEE na escola
O trabalho do AEE parte do estudo de caso de cada estudante para identificar necessidades, desenvolver recursos pedagógicos e de acessibilidade, apoiar a participação em sala e articular os diferentes profissionais envolvidos, sempre integrado ao projeto pedagógico da escola e à família. Isso inclui desde a organização da sala de recursos até a elaboração de planejamentos individualizados e a orientação de professores e familiares.
Para que esse trabalho seja bem feito, o profissional responsável pelo AEE precisa de formação específica. É o que defende a professora Luciene Aparecida Felipe Siccherino, coordenadora da nova Pós-Graduação em Atendimento Educacional Especializado do Instituto de Educadores, instituto da Faculdade Península: “O Atendimento Educacional Especializado começa com formação específica”. Para ela, “a Educação Especial não é apenas uma lei, é um compromisso”.
Quem se qualifica pode atuar direto na sala de recursos
O curso, com 400 horas distribuídas em três módulos, é oferecido em cooperação acadêmica com a PUC Goiás e é voltado a professores da educação básica, profissionais que atuam ou desejam atuar no AEE, coordenadores e gestores escolares. A formação aborda deficiência intelectual, auditiva, visual e física, transtornos do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, além de temas como Libras, tecnologia assistiva e Plano Educacional Individualizado.
Além de professores, o curso também é aberto a profissionais da saúde e da assistência que atuam em equipes interdisciplinares com pessoas com deficiência e transtornos do neurodesenvolvimento, já que o trabalho do AEE costuma envolver mais de uma área além da escola. As aulas são conduzidas por um corpo docente com mestres e doutores com experiência acadêmica e profissional em Educação Especial, inclusão, desenvolvimento humano, acessibilidade, neurociência, Libras e práticas educacionais.
Para quem quer entender melhor o que é o AEE ou se qualificar para atuar nessa área, o Instituto de Educadores reúne mais detalhes sobre a Pós-Graduação em Atendimento Educacional Especializado em seu site, institutoeducadores.com.br.
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