No sul da França, o Viaduto de Millau atravessa um vale tão profundo que montar toda a ponte suspensa seria um desafio enorme. Durante a obra, o tabuleiro de aço foi montado nas duas margens e empurrado lentamente sobre pilares gigantes até as partes se encontrarem acima do rio Tarn. A união exigiu grande precisão.
Por que os engenheiros empurraram a ponte pelo vale?
Com 2.460 metros de extensão, a travessia integra a autoestrada A75 e evita a descida até Millau. O projeto estrutural é de Michel Virlogeux, com desenho de Norman Foster e construção pelo grupo Eiffage.
O tabuleiro foi montado nas extremidades, onde soldagens podiam ocorrer com maior controle de execução. Depois, o avanço sobre os apoios reduzia a necessidade de manter toda a montagem suspensa sobre o vale.

Sete pilares e apoios temporários sustentaram as etapas
Os sete pilares definitivos de concreto variam de 77 a 245 metros. Cada fundação tem uma base espessa e quatro poços de ancoragem. A sequência oficial de construção distingue essas bases dos equipamentos provisórios.
Torres de aço foram colocadas entre os pilares para reduzir os vãos sem apoio enquanto o tabuleiro avançava. Elas não integram a ponte pronta, mas permitiram mover milhares de toneladas antes da instalação de todos os cabos.
A seguir, veja como pilares e apoios temporários sustentaram a montagem do viaduto:
Como o tabuleiro avançava sem cair no vão?
Dispositivos hidráulicos chamados translateurs deslocavam as seções em pequenos ciclos. Esse lançamento progressivo seguia uma sequência:
- Montagem: soldagem de seções metálicas nas duas margens.
- Elevação: dispositivos hidráulicos recebem o peso do tabuleiro.
- Avanço: cada ciclo desloca cerca de 60 centímetros.
- Apoio: pilares e torres provisórias sustentam o conjunto.
- Encontro: as metades chegam à posição de união central.
Em Millau, 64 dispositivos participaram de 18 operações de lançamento. O método também aparece em obras que deslizam viadutos sobre apoios, embora os pesos e percursos sejam diferentes.

O encontro sobre o rio Tarn encerrou o lançamento
Em 28 de maio de 2004, às 14h12, as duas partes se tocaram cerca de 270 metros acima do rio. O fechamento marcou a conclusão da montagem metálica principal, não a liberação imediata da rodovia.
Depois vieram mastros, cabos e pavimento. O Instituto de Engenheiros Civis registra a entrada em operação em 2004. Com os mastros, a ponte chega a 343 metros de altura total, medida distinta da altura de cada pilar.
Veja a seguir os marcos do lançamento do tabuleiro e da instalação dos cabos:
| Marco | Data | Etapa | Resultado |
|---|---|---|---|
| Primeiro avanço | 25/03/2003 | Lançamento do aço | Tabuleiro começou a avançar |
| Encontro central | 28/05/2004 | Junção sobre o Tarn | Lançamento encerrado |
| Pavimentação | 21–24/09/2004 | Camada de 6,7 cm | 10 mil t de revestimento |
O que mudou com a instalação dos cabos definitivos?
Durante o lançamento, apoios provisórios e dois mastros parcialmente estaiados controlavam as extremidades. Posteriormente, os cabos definitivos passaram a distribuir esforços do tabuleiro aos mastros e pilares, formando o sistema estrutural atual.
A mudança distingue a engenharia de montagem da engenharia de operação. O tabuleiro pôde avançar como peça móvel, mas o tráfego exigiu a ponte concluída, com pavimento, cabos e monitoramento.
A ponte pronta conserva a história de sua montagem
O viaduto entrou em serviço em dezembro de 2004, oferecendo passagem sem a descida até o fundo do vale. Seu funcionamento depende de acompanhamento do vento e dos movimentos, comum em pontes longas e expostas.
O princípio de montar estruturas no chão e deslocá-las depois também ajuda a compreender o método. Em Millau, ele permitiu unir grandes trechos de aço no alto sem construir cada metro diretamente no vazio.
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