Acabou o campeonato, acabou o contrato, e o telefone parou de tocar. Essa é a realidade de muito jogador de futebol no Brasil nesta época do ano. Foi pensando nela que um grupo de atletas e ex-atletas criou a Empregol (empregol.co), plataforma que chega ao mercado em outubro para ajudar quem está sem clube a continuar sendo visto por quem contrata.

O funcionamento é direto. O jogador ou a jogadora sem contrato ativo cria um perfil com posição, dados físicos, estatísticas e vídeos com os melhores lances. Esse perfil passa por checagem de identidade e de documentos. A partir daí, o atleta recebe contato de agentes e clubes verificados no chat da própria plataforma, onde também pode conversar com a equipe da Empregol.

Por que sumir do radar pesa tanto

Quem está em campo sabe que a preocupação começa antes do contrato acabar. Jogar mantém o nome circulando, e cada minuto disputado conta na hora de negociar o próximo vínculo. Léo Vieira, sócio da Empregol e jogador do Portimonense, de Portugal, resume: “Quando o contrato vai chegando ao fim, a cabeça já está no que vem depois. Você não sabe se vai continuar jogando nem se vai ter salário daqui a alguns meses. Por isso estar em campo, somando minutos, faz tanta diferença”, diz.

Quando o vínculo termina, o atleta perde tudo de uma vez: a estrutura de treino, o acompanhamento da comissão técnica e do departamento médico e o salário. E ainda precisa continuar em forma, porque a proposta pode aparecer em qualquer semana.

Gente que já passou por isso

Três dos quatro sócios da Empregol viveram essa rotina. Além de Léo, Matteo Zatorre jogou no Santos, e Hygor Ribeiro, CEO da empresa, jogou profissionalmente por clubes como Desportivo Brasil, América de Natal e Noroeste. O quarto sócio, Caio Vieira, cuida da parte comercial. Matteo lembra bem como é ficar do lado de fora: “A gente sentiu na pele o que é estar sem contrato, sem clube, sem saber para onde ligar. Sentimos o silêncio depois que o telefone para de tocar”, conta.

Ele chama atenção também para o lado emocional da espera. “O período sem clube cobra da cabeça tanto quanto do corpo”, diz Matteo. Um estudo da FIFPro, entidade internacional que representa os jogadores profissionais, ouviu 607 atletas em atividade em 2015 e identificou sintomas de depressão ou ansiedade em 38% deles.

Mais que uma vitrine

Por isso a proposta não fica só no perfil. No plano premium, o atleta pode contratar sessões com profissionais parceiros de saúde mental, jurídico, financeiro e preparação física, a preço corporativo, e continua com esse acesso mesmo depois de assinar com um novo clube. A assinatura vai de R$ 24,90 a R$ 79,90 por mês, conforme o plano, e quem chegar no lançamento terá um período gratuito.

Segundo os sócios, a empresa dá atenção especial a atletas que vêm de contextos vulneráveis, para quem a falta de renda pesa mais. A ideia é que o jogador não seja só visto, mas acompanhado de perto. “Nenhum atleta deveria ficar invisível só porque está entre um contrato e outro”, afirma Léo.

Muita gente procurando ao mesmo tempo

A fila não é pequena. Segundo o Relatório de Transferências 2026 da ANRESF, feito com a CBF Academy, nos clubes sem divisão nacional os contratos da primeira janela do ano duraram em média só 5,6 meses. Com a Série D encerrada em 13 de setembro e os estaduais de 2027 ainda por começar, milhares de jogadores buscam clube nestas semanas.

Para quem ficou sem contrato agora, o caminho que a Empregol propõe é não sair do radar: manter o perfil com vídeos e números atualizados, seguir treinando e ter um canal direto com clubes e agentes verificados enquanto a próxima proposta não chega.

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