Em uma ilha onde chove menos de 150 mm por ano, agricultores de Lanzarote aprenderam a plantar videiras dentro de crateras abertas na cinza vulcânica. O material poroso conserva umidade, enquanto pequenos muros de pedra protegem as plantas do vento e tornam possível cultivar quase sem irrigação regular.

Por que as videiras de Lanzarote ficam dentro de crateras?

As erupções do século XVIII cobriram grandes áreas da ilha com materiais vulcânicos. Em Lanzarote, agricultores passaram a escavar o depósito de cinzas e lapilli até alcançar o solo enterrado, abrindo depressões onde as raízes conseguem se desenvolver abaixo da camada superficial.

Esses buracos não são crateras vulcânicas naturais, mas escavações agrícolas. O formato ajuda a aproximar a planta do solo fértil e cria uma pequena área protegida. Em La Geria, os cones abertos no terreno tornaram-se parte de uma paisagem agrícola vulcânica reconhecível à distância.

Em uma das regiões mais secas da Europa, agricultores enterram videiras em crateras de cinza vulcânica e cercam cada planta com pedra para produzir quase sem irrigação
Como Lanzarote cultiva videiras com pouca chuva

Como a cinza vulcânica ajuda uma lavoura com tão pouca chuva?

O segredo está na camada de pequenos fragmentos vulcânicos, conhecida localmente como picón. A agricultura de sequeiro de Lanzarote funciona em uma região com menos de 150 mm de precipitação anual, usando esse material para captar e conservar umidade.

O picón reduz a perda de água por evaporação e favorece a infiltração da umidade disponível. Isso permite manter cultivos com pouca ou nenhuma irrigação contínua. Em vez de retirar a cobertura vulcânica, os agricultores transformaram justamente essa camada em parte do sistema de conservação de água.

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Para que serve o muro semicircular construído ao redor de cada planta?

Além da falta de chuva, o vento é outro desafio. O cultivo tradicional usa muros de pedra voltados para o lado mais exposto, protegendo a planta e o solo. Regulamentos regionais descrevem buracos de cerca de 3 metros e profundidades que podem chegar a 2,5 metros.

Cada elemento cumpre uma função diferente dentro do mesmo desenho agrícola:

  • Picón: ajuda a reter umidade e reduz a evaporação.
  • Buraco: aproxima a planta do solo fértil soterrado.
  • Muro de pedra: diminui o impacto dos ventos dominantes.
  • Plantio profundo: favorece raízes capazes de explorar a umidade abaixo da superfície.
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Como Lanzarote cultiva videiras com pouca chuva

Essa técnica existe apenas em La Geria?

La Geria é a imagem mais famosa desse método, mas o princípio aparece em outras áreas agrícolas da ilha. O conjunto de práticas tradicionais inclui cultivos sobre cinza vulcânica e areia, usado para uvas, figos, cebolas, leguminosas e cereais. O sistema agrícola tradicional ocupa milhares de hectares.

O dado de mais de 12 mil hectares se refere ao conjunto de práticas reconhecidas na ilha, e não apenas às covas de La Geria. Essa distinção ajuda a entender a escala: a técnica das vinhas é uma expressão visual de uma adaptação agrícola muito mais ampla.

Por que esse método continua funcionando séculos depois das erupções?

O sistema persistiu porque responde diretamente aos limites locais. Em vez de exigir grande disponibilidade de água, ele usa materiais que já cobrem o terreno para conservar a pouca umidade existente e protege cada planta de ventos capazes de acelerar ainda mais a secagem do solo.

As videiras transformaram uma camada vulcânica que parecia hostil em parte da própria infraestrutura agrícola. A combinação de escavação, pedra e picón mostra como uma lavoura pode se adaptar ao clima sem apagar o terreno original, mantendo uma técnica de cultivo de sequeiro construída ao longo de gerações.

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