A enfermagem é a maior categoria da saúde no Brasil, com mais de 3 milhões de profissionais inscritos, segundo o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem). É também a equipe que fica ao lado do paciente o tempo todo, nos plantões de dia e de noite. Por isso, sempre que um hospital muda uma regra de atendimento, alguém precisa garantir que a novidade chegou a quem está na ponta.

Uma das formas de fazer isso é a capacitação recorrente em plataformas digitais. No LMS (Learning Management System, ou sistema de gestão de aprendizagem) da Inspand, empresa de educação corporativa, mais de 180 mil profissionais da saúde já concluíram mais de 690 mil cursos em 2026, uma média superior a 3,8 por pessoa.

O que faz um protocolo mudar

Mudança de protocolo clínico, chegada de um equipamento novo, revisão de uma norma sanitária. Cada uma dessas situações cria uma demanda de treinamento que precisa alcançar a equipe inteira, em turnos e unidades diferentes. Para a enfermagem, presente em todos os turnos, isso significa receber a mesma orientação em horários diferentes.

As regras também mudam no nível nacional. No início de 2026, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o Plano Integrado para a Gestão Sanitária da Segurança do Paciente em Serviços de Saúde 2026-2030, que tem entre seus objetivos ampliar a adesão às práticas e à cultura de segurança nos serviços.

Do papel para o plantão

Um protocolo escrito só faz diferença quando quem está no atendimento sabe aplicar. “Um protocolo de segurança só funciona quando é conhecido por todos que estão na assistência, em todos os turnos. A capacitação recorrente é o que faz a orientação escrita virar prática à beira do leito”, afirma Cristiano Franco, CEO da Inspand.

Para o hospital, também é importante saber quem já passou pela atualização. “Na saúde, a capacitação acompanha o ritmo da operação. Quando um protocolo muda, a instituição precisa garantir que a orientação chegou a todos os profissionais envolvidos e ter como comprovar isso”, completa.

Uma categoria que não para de crescer

A necessidade de atualização aumenta porque a enfermagem recebe gente nova o tempo todo. Entre 2017 e 2022, o número de vínculos da categoria cresceu 44%, de 1 milhão para 1,5 milhão de postos, segundo o Cofen. Em palestra em agosto, o presidente do conselho, Manoel Neri, defendeu mais planejamento na preparação de novos profissionais e alinhamento da oferta de cursos às demandas do sistema de saúde.

Cada profissional que chega a um hospital precisa conhecer os protocolos da casa. E quem já está na equipe precisa acompanhar o que muda.

Treinamento que vira hábito

A média de 3,8 cursos concluídos por profissional mostra que, nas instituições atendidas pela Inspand, a atualização acontece mais de uma vez. Entre elas estão o Hospital Pequeno Príncipe, o ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo), o GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), a Rede Santa Catarina e a Unimed Paraná.

“Quando um profissional conclui vários cursos ao longo do tempo, a atualização passou a fazer parte do trabalho dele. É isso que as instituições de saúde buscam: desenvolvimento contínuo, e não um treinamento pontual”, diz Franco.

Acompanhar quem concluiu também ajuda o hospital a se antecipar. “Saber quem concluiu cada conteúdo permite ao gestor identificar lacunas de conhecimento e agir sobre elas com antecedência”, afirma o executivo.

Na prática, hospitais mantêm a equipe de enfermagem atualizada combinando três coisas: cursos que cabem na escala de cada plantão, atualização sempre que um protocolo muda e acompanhamento de quem concluiu cada conteúdo.

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