Quem já esteve à frente da comunicação da Defesa Civil durante uma tragédia sabe, na prática, o que acontece quando uma equipe não sabe quem decide, não recebe informação e não tem critério para escolher. O Capitão Roberto Farina viveu isso de perto. Como porta-voz da Defesa Civil do Estado de São Paulo, acompanhou as chuvas de 680 milímetros que devastaram o litoral norte paulista em 2023 e a atuação paulista no apoio ao Rio Grande do Sul durante as enchentes de 2024.
Hoje, essa bagagem virou material de aula. Pelo Grupo NEOeX, que fundou e que tem experiência na segurança de shopping centers, Farina oferece treinamento para capacitar profissionais de segurança privada a assumir cargos de liderança e chefia.
“Em segurança privada, muita gente chega à chefia porque era o melhor vigilante do posto, e ninguém ensinou a essa pessoa como liderar uma equipe, negociar ou decidir numa emergência. É essa lacuna que a gente quer fechar”, afirma Farina.
O revezamento das equipes vira aula de gestão de pessoas
No Rio Grande do Sul, Farina acompanhou o revezamento das equipes que se alternavam na linha de frente e a montagem de um centro logístico de ajuda humanitária em Estrela, no Vale do Taquari. Cuidar de quem está cansado, saber a hora de trocar o time e manter todo mundo funcionando sob pressão são temas que entram no treinamento como gestão de pessoas e inteligência emocional.
A informação desencontrada vira aula de comunicação
Na tragédia gaúcha, dados sobre abrigos, resgates e doações corriam por mensagens de celular, planilhas soltas e conversas.
“No Rio Grande do Sul, a informação existia. O problema é que ela chegava picada, por mensagem, por planilha, por ligação, e cada equipe enxergava um pedaço diferente da mesma tragédia”, diz.
Por isso, comunicação é um dos pilares da formação: falar com a equipe em horários combinados, dizer o que se sabe e o que ainda não se sabe.
“Numa crise, a equipe aguenta notícia ruim. O que ela não aguenta é silêncio. Dizer o que se sabe, o que ainda não se sabe e quando vai haver nova atualização é o que mantém a confiança”, afirma.
As escolhas sob pressão viram aula de decisão
Em uma crise, alguém precisa escolher o que fazer primeiro, com pouca informação e muita pressão. O treinamento trabalha tomada de decisão e análise de risco, e Farina leva para a sala de aula a Pesquisa Operacional, área da matemática que compara alternativas e mostra o peso de cada critério.
“Crise não pede só gestão, pede liderança. E liderar sob pressão não pode depender apenas da intuição de quem está no comando nem da memória de quem estava lá”, explica.
Uma pesquisa por trás do método
O que Farina ensina também passou pela academia. A experiência no Rio Grande do Sul virou a dissertação “O papel da informação na gestão do conhecimento em desastres naturais: o caso da Defesa Civil de São Paulo na tragédia do Rio Grande do Sul”, defendida e aprovada em 2026 no Mestrado em Administração da ESPM. O estudo deu origem ainda a uma plataforma de apoio à decisão desenvolvida com a Teltex, o ITA e a UFCG.
O que o curso cobre
Além dos temas que vêm da Defesa Civil, a formação inclui liderança, gestão, gestão de KPIs, negociação e gerenciamento de crise. A ideia é preparar quem hoje está no posto para comandar uma equipe amanhã.
“O que aprendi na Defesa Civil só faz sentido se eu conseguir passar adiante. Formar quem vai estar no comando na próxima crise é a melhor forma de fazer isso”, conta Farina.
Para quem procura um curso de liderança para vigilantes, a proposta da NEOeX junta o dia a dia da segurança privada com a experiência de quem já comandou a resposta a crises reais. Mais informações sobre os treinamentos estão no site do Grupo NEOeX.
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