No nível mais baixo de uma torre de um palácio romano na Sérvia, arqueólogos encontraram um banho romano com piso aquecido, três piscinas e uma sala de vapor. A estrutura circular, construída no início do século IV, ocupava um espaço cuja configuração não tem paralelo direto conhecido no Império Romano.
O que havia escondido na torre do palácio romano?
A escavação revelou um balneum privado, nome usado para um conjunto de banho menor que as grandes termas públicas. O espaço ocupava a parte inferior da torre sudoeste de uma residência fortificada associada à elite imperial e foi dividido entre área de banho e instalações técnicas.
O sítio de Šarkamen fica no leste da Sérvia, perto de Negotin. A residência é datada do começo do século IV e costuma ser relacionada ao período de Maximinus Daza, governante romano que participou da fase final da Tetrarquia.

Como o piso aquecido funcionava dentro do banho romano?
Na parte técnica, arqueólogos localizaram uma fornalha ligada ao sistema de aquecimento pelo piso. O ar quente circulava sob a superfície utilizada pelos ocupantes, elevando a temperatura dos ambientes. Também apareceu a base destinada a uma caldeira de cobre que aquecia água para as instalações.
O complexo arqueológico de Vrelo-Šarkamen vem sendo estudado sistematicamente há décadas. A nova interpretação da torre acrescenta uma área de uso privado e confortável a uma residência já conhecida por fortificações, mausoléu e outras estruturas monumentais.
Quais elementos transformavam a torre em um espaço de banho?
O setor de uso possuía três recipientes ou piscinas para banho, além de um sudatorium, ambiente aquecido e úmido comparável a uma sala de vapor. A planta acompanhava a forma circular da torre, solução que obrigou os construtores a adaptar equipamentos, circulação e aquecimento ao espaço disponível.
Os elementos identificados incluem:
- Três piscinas: recipientes destinados a diferentes etapas do banho.
- Sala de vapor: ambiente quente associado ao sudatorium romano.
- Piso aquecido: calor distribuído por baixo da superfície utilizada.
- Fornalha e caldeira: infraestrutura técnica para aquecer ambiente e água.
Por que a localização dentro de uma torre surpreendeu os arqueólogos?
Banhos romanos são conhecidos em muitos formatos, mas os pesquisadores destacaram a ausência de paralelo direto para um conjunto circular instalado dentro de uma torre dessa residência. Em vez de uma sequência linear de salas, o projeto precisou seguir a geometria do próprio elemento defensivo monumental.
O projeto de escavação aparece entre as pesquisas apoiadas pelo Ministério da Cultura. A continuidade dos trabalhos permite rever funções de espaços que, vistos apenas pela forma externa, poderiam ser interpretados principalmente como partes defensivas da residência fortificada.

O que a descoberta muda na visão sobre esse palácio romano?
A presença do banho revela uma combinação de defesa, residência e conforto concentrada na mesma construção. O piso aquecido e a sala de vapor exigiam infraestrutura permanente, indicando que a torre abrigava um ambiente planejado para uso cotidiano da elite, não apenas uma posição de vigilância.
As próximas escavações ainda podem esclarecer acessos, circulação e fases de uso. Mesmo assim, o conjunto já mostra como engenharia romana e luxo privado podiam ocupar espaços inesperados: onde uma torre sugeria paredes maciças e função militar, surgiu um sistema completo para aquecer água, piso e ambientes de banho.
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