Com o avanço das canetas emagrecedoras, muitos donos de academia se perguntam se devem montar um programa só para alunos em tratamento com medicamentos como semaglutida e tirzepatida. A mudança, no entanto, não passa por programas específicos nem por assumir funções que cabem aos profissionais de saúde.
O ajuste está em entender as novas demandas e organizar o atendimento. A Pacto Soluções, empresa de tecnologia para gestão de negócios fitness, acompanha as transformações do setor e apoia academias na organização das operações e na tomada de decisões.
Emagrecer, condicionar e manter
O primeiro passo é compreender que emagrecimento, condicionamento físico e manutenção de resultados são objetivos relacionados, mas distintos. Os medicamentos GLP-1 atuam no controle do apetite e da saciedade e, com indicação médica, podem levar a uma redução significativa do peso. Essa perda pode envolver gordura e massa magra, incluindo os músculos.
Por isso a preservação muscular virou ponto de atenção. Uma revisão publicada em 2025 na revista Obesity Reviews destacou a importância do treinamento resistido e da ingestão nutricional adequada, e as recomendações da American Diabetes Association incluem atividades de fortalecimento muscular no plano de cuidado.
A revisão ressalta, porém, que ainda há lacunas de conhecimento sobre as melhores estratégias para prevenir ou reverter a perda muscular nesses pacientes.
O que muda no dia a dia
Em vez de um programa à parte, a academia pode ampliar a atenção à evolução do aluno, valorizar o treinamento de força, melhorar a comunicação entre equipe e cliente e oferecer uma experiência que favoreça a continuidade da atividade física. São ajustes que servem a todos os alunos.
O público também é variado. Nem todo usuário de GLP-1 vai procurar a academia, e quem procura chega com condicionamento, disponibilidade e expectativas diferentes. Profissionais capacitados e objetivos bem definidos fazem diferença nessa hora.
Para que a experiência seja positiva, o acompanhamento precisa ser compatível com a realidade de cada aluno, use ele o medicamento ou não.
Um sinal desse movimento vem dos Estados Unidos. Segundo levantamento da William Blair de agosto de 2026, 72% dos usuários de GLP-1 entrevistados disseram se exercitar com mais frequência após iniciar o tratamento, ante 60% em 2024. A proporção dos que dizem se exercitar significativamente mais passou de 23% para 34,7%. O resultado não deve ser transferido automaticamente para o Brasil.
O caminho, portanto, está em reconhecer as diferentes necessidades de quem chega à academia e construir experiências capazes de acompanhar objetivos que podem mudar ao longo do tempo.
Gestão no lugar do improviso
A proposta não é substituir o acompanhamento médico ou nutricional. O exercício integra uma estratégia mais ampla de saúde, e a academia contribui com orientação profissional e ambiente adequado.
Para organizar esse atendimento, a gestão ajuda. Acompanhar a frequência, perceber mudanças de comportamento e olhar para os indicadores de permanência permitem decisões mais consistentes, sem substituir a avaliação individual feita por profissionais habilitados.
A tecnologia entra para reunir as informações da operação e facilitar a identificação de padrões, de modo que os dados virem decisões úteis para a equipe.
Para quem administra uma academia, a resposta à chegada dos usuários de caneta emagrecedora está em treino de força bem orientado, acompanhamento próximo e gestão organizada, oferecidos a todos os alunos e em diálogo com o acompanhamento médico e nutricional.
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