Reforma e retrofit costumam ser tratados como sinônimos, mas a obra da Vila Belmiro ajuda a separar uma coisa da outra. O estádio do Santos, inaugurado em 1916, completou 110 anos em 12 de outubro e passa por um retrofit com projeto e execução do Grupo CPR, empresa de engenharia e incorporação com sede em São Paulo. A entrega completa está prevista para novembro de 2027.

Modernizar sem apagar

Numa reforma convencional, o foco costuma ser renovar o que está desgastado. O retrofit parte de outra lógica: modernizar uma construção existente mantendo sua estrutura e sua história, recuperando o que pode ser preservado e refazendo apenas o que precisa ser substituído.

“O retrofit existe justamente para preservar essa história, não para apagá-la”, diz Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.

Concreto antigo, estrutura nova

Na Vila, a obra lida com estruturas com mais de meio século nas partes mais novas e com mais de cem anos nas mais antigas. As áreas antigas de concreto passam por recuperação. Já as arquibancadas dos setores 8 a 16 são demolidas e reconstruídas em estrutura metálica pré-moldada com steel deck.

O trabalho que não aparece

Segundo a empresa, numa estrutura com mais de 50 anos, o tratamento das ferragens, a proteção catódica, a recomposição do concreto e as fundações profundas são o que garante a segurança por mais décadas. Essa etapa pouco visível é o centro de um retrofit.

Projeto resolvido antes da obra

Os projetos arquitetônico e estrutural são desenvolvidos em BIM, a modelagem digital que integra as disciplinas da obra. Com ela, os projetos são compatibilizados antes da execução, o que reduz o retrabalho no canteiro.

O que muda para quem frequenta o estádio

Além da recuperação estrutural, o retrofit inclui 72 camarotes novos, a reforma integral do 4º pavimento das cativas, novo telhado, novos elevadores e escadas, modernização das cadeiras, troca do gramado e um museu com experiências interativas. Segundo o grupo, a capacidade deve passar de pouco mais de 16 mil para até cerca de 25 mil lugares.

Para a empresa, a responsabilidade vai além do contrato. “Poucos clubes no mundo têm a história que o Santos tem, e a gente carrega a responsabilidade de preservar essa história sem comprometer o futuro do clube”, diz Ceni.

Fundado pelo engenheiro civil Marlon Ceni, o Grupo CPR atua há mais de 15 anos em engenharia e incorporação, com unidades em Curitiba e Goiânia, e trabalha com construção, manutenção e facilities para clientes públicos e privados. No imobiliário, desenvolve a Fazenda do Lago, às margens do Lago Corumbá IV, em Abadiânia (GO).

Na prática, a diferença entre reforma e retrofit aparece no que continua de pé. Na Vila Belmiro, a modernização convive com estruturas de mais de um século, que seguem contando a história do estádio.

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