Quando o café reinava no Vale do Paraíba, Bananal chegou a responder por cerca de 11% de toda a produção da província de São Paulo. Aos pés da Serra da Bocaina, na divisa com o Rio de Janeiro, a cidade ainda guarda os palacetes e as fazendas daquele tempo de fortuna.

Por que Bananal ficou tão rica no século 19?

A resposta está no café, que transformou a antiga vila em uma das cidades mais prósperas do Império. Entre 1836 e 1837, segundo registros históricos, a então vila produziu quase mil toneladas de café e abrigava dezenas de fazendas com engenhos de açúcar e destilarias de aguardente.

Essa riqueza atraiu figuras de peso, e as fazendas locais hospedaram Dom Pedro I e, muito depois, o presidente Juscelino Kubitschek, conforme a Secretaria de Turismo de São Paulo. Com a queda do café, no fim do século 19, a economia migrou para a pecuária leiteira, mas os casarões de azulejos portugueses e cristais belgas permaneceram de pé.

A cidade que abrigou Dom Pedro I e JK a 316 km da capital e guardou a primeira farmácia do Brasil
Bananal, São Paulo // Créditos: Wikipedia

A farmácia mais antiga e a estação vinda da Bélgica

A herança imperial aparece em detalhes raros. A Pharmacia Popular, fundada em 1830 pelo boticário francês Tourin Mosnier, é considerada a farmácia mais antiga do Brasil, segundo a plataforma de turismo do Estado de São Paulo. Aberta como Pharmacia Imperial, ganhou o nome atual em 1889, com a República, e funcionou até 2011, hoje preservada como marco histórico.

Outro tesouro é a estação ferroviária inaugurada em 1888: sua estrutura metálica foi pré-fabricada e importada da Bélgica, sendo a única desse tipo em todo o continente americano. A mesma fonte oficial destaca que a riqueza dos cafeicultores bancou obras importadas peça por peça.

O que fazer em Bananal além do centro histórico?

Quem visita a cidade combina arquitetura colonial com natureza preservada da Mata Atlântica. Algumas atrações ficam nas fazendas centenárias, outras dentro da serra.

  • Fazenda Três Barras: do fim do século 18, hospedou Dom Pedro e JK, e mantém o mobiliário de época no quarto que o presidente ocupava.
  • Fazenda Boa Vista: dos meados do século 18, serviu de cenário para novelas como Sinhá Moça e hoje funciona como hotel-fazenda.
  • Estação Ecológica de Bananal: criada em 1987 com 884 hectares, protege um dos últimos trechos de Mata Atlântica do estado, conforme o Guia de Áreas Protegidas de São Paulo.
  • Trilha do Ouro: caminho histórico de cerca de 45 km dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina, segundo o Instituto Chico Mendes (ICMBio).

Quem quer descobrir o que fazer na charmosa e histórica cidade de Bananal, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Ruy Viaja, que conta com mais de 2 mil visualizações, onde Ruy mostra um roteiro de passeio com os principais pontos turísticos, a rica história e as belas fazendas da região de Bananal SP:

Qual a melhor época para visitar a serra?

O inverno seco e ameno costuma ser o período mais confortável para caminhar pela cidade e pela mata. No verão as chuvas são mais frequentes, mas as manhãs costumam abrir, ideais para trilhas cedo.

Estação Meses Temperatura Chuva O que fazer
Verão Dez-Fev 18-30°C Alta Trilhas pela manhã
Outono Mar-Mai 14-26°C Média Fazendas e centro histórico
Inverno Jun-Ago 10-22°C Baixa Caminhadas e passeios culturais
Primavera Set-Nov 13-27°C Média Estação Ecológica e cachoeiras

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Bananal fica no extremo leste de São Paulo, a 316 km da capital paulista. Saindo de São Paulo, o acesso é pela Rodovia Presidente Dutra e depois pela Rodovia dos Tropeiros (SP-068), a mesma estrada por onde Dom Pedro I passou em 1822.

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Vale a pena conhecer Bananal

A cidade reúne em poucos quilômetros o luxo do Império, a memória do café e a Mata Atlântica viva da Serra da Bocaina. Poucos destinos paulistas combinam acervo histórico e natureza com essa intensidade.

Reserve um fim de semana e suba a serra para sentir o ritmo de Bananal, onde o tempo do café ainda corre devagar.

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