A poucos quilômetros do Rio de Janeiro, uma cidade conhecida pelo concreto esconde Mata Atlântica, cachoeiras e raízes de vulcão. Essa é Nova Iguaçu, a Capital da Baixada Fluminense, a cerca de 40 km da capital. Já foi porto de ouro, virou a maior exportadora de laranjas do país e hoje surpreende com uma natureza que poucos imaginam encontrar na Região Metropolitana.
A serra que guarda raízes de um vulcão
O apelido mais curioso da cidade tem fundo geológico. A Serra do Vulcão ganhou esse nome porque, na década de 1970, pesquisadores identificaram ali vestígios de atividade vulcânica de cerca de 40 milhões de anos atrás.
A ciência depois ajustou a história. Estudos publicados em revistas especializadas mostraram que não há uma cratera preservada, e sim estruturas subvulcânicas expostas, formadas a quilômetros de profundidade. O caso é raro no país e atrai pesquisadores de vulcanologia, enquanto a serra, a cerca de 885 metros de altitude, virou rampa de voo livre com vista de toda a Baixada.

De porto de ouro à Cidade Perfume
A história da cidade é feita de reinvenções. No período colonial, rios e a Estrada Real do Comércio ligavam as minas de ouro ao antigo Porto de Iguassu, de onde a riqueza seguia rumo à capital do Império.
Depois veio a fase mais aromática. Entre as décadas de 1920 e 1950, Nova Iguaçu foi a maior exportadora de laranjas do país, e os pomares em flor perfumavam as estações de trem, o que rendeu o apelido de Cidade Perfume. A chamada Crise da Laranja, ligada à Segunda Guerra e à dificuldade de escoamento, encerrou o ciclo.

A Cidade Mãe da Baixada Fluminense
O território já foi muito maior. Nova Iguaçu é conhecida como a Cidade Mãe da Baixada, porque de seu antigo território nasceram sete municípios vizinhos, desmembrados ao longo das décadas.
Hoje a cidade é uma das mais populosas do estado e funciona como centro de comércio, saúde e educação para toda a região. Nas últimas décadas, ganhou estrutura própria e deixou para trás o antigo rótulo de cidade-dormitório.
A Mata Atlântica reconhecida pela UNESCO
O verde ocupa boa parte do município. Cerca de 35% do território de Nova Iguaçu é coberto por Mata Atlântica, em uma das maiores áreas preservadas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
O destaque é uma grande reserva federal. A Reserva Biológica do Tinguá, com 26 mil hectares, integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, chancelada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), e é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A área protege nascentes e abriga espécies ameaçadas, como a onça-parda.
O que fazer em Nova Iguaçu?
A cidade combina natureza, geologia e história colonial. Entre os principais pontos, destacam-se:
- Parque Natural Municipal de Nova Iguaçu: cerca de 1.100 hectares de Mata Atlântica, com trilhas, cachoeiras e os vestígios do antigo vulcão.
- Serra do Vulcão: rampa de voo livre e mirante com vista panorâmica da Baixada Fluminense.
- Reserva Biológica do Tinguá: visitas guiadas com agendamento, em meio a floresta, rios e cachoeiras.
- Fazenda São Bernardino: ruínas de um casarão neoclássico do século 19, tombadas, perto da reserva.
- Praça do Skate: pista histórica dos anos 1970, ponto de encontro de skatistas da região.
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Quando é a melhor época para visitar?
O outono e o inverno, mais secos, são os melhores para as trilhas e o voo livre, com tempo firme e menos risco de chuva nas cachoeiras. As temperaturas ficam mais amenas nessa época.
No verão, o calor é intenso e as chuvas da tarde são fortes, o que pode deixar as trilhas escorregadias. As manhãs seguem boas para os parques e para o circuito histórico da cidade.
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Conheça a cidade que se reinventa há séculos
Nova Iguaçu reúne passado de ouro, herança da laranja e uma natureza vulcânica e preservada a poucos minutos do Rio. Poucos lugares da Região Metropolitana escondem tantas surpresas atrás da fama de cidade urbana.
Vale conhecer Nova Iguaçu, subir a Serra do Vulcão e descobrir a Mata Atlântica que resiste tão perto da capital fluminense.
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