Acordar cedo, correr, encarar dez horas de trabalho, dormir mal e voltar pro treino no dia seguinte. Se essa rotina parece familiar, você faz parte de um grupo que cresceu muito no Brasil: gente que treina com volume de atleta, mas vive com agenda de executivo. E o corpo, uma hora, cobra a conta.
Foi de olho nesse público que surgiu a Makoa Recovery, rede de estúdios de recuperação física que reúne sauna finlandesa, botas de compressão pneumática e banheira de contraste num só lugar.
A corrida virou febre
O tamanho da onda aparece nos números. Segundo a Abraceo (Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor), o Brasil teve 5.241 corridas de rua oficiais em 2025, contra 2.827 no ano anterior. Um salto de 85%. Santa Catarina ficou em terceiro no ranking, com 478 provas, atrás de São Paulo e Paraná.
Muita gente entrou nessa com tudo: planilha, relógio, meta de prova. O que nem sempre entrou na conta foi o tempo pro corpo se recuperar entre um treino e outro.
“O corredor amador hoje compra tênis de placa de carbono, relógio com GPS e planilha de treinador. Mas quando o assunto é recuperação, ainda improvisa com gelo no freezer de casa. Existe um vazio enorme aí”, resume Gustavo Mello, o Gus, sócio da Makoa.
Quem ensinava a treinar forte mudou o foco
Gus conhece bem o lado do esforço. Ele foi coach, cofundador e head coach da CrossFit Union, nos Estados Unidos, e depois cofundou a Hele Fitness, marca que começou num pequeno espaço de armazenamento no Havaí, onde foi CEO e que ganhou atuação internacional. Foi lá fora que ele viu os estúdios dedicados só ao recovery se espalharem na última década.
“Passei a vida inteira ensinando as pessoas a treinar mais forte. Demorei para entender que o resultado aparece no intervalo entre um treino e outro. É ali que quase ninguém está olhando”.
Como funciona a sessão
Na Makoa, ninguém entra na sauna ou na banheira no improviso. As sessões seguem protocolos criados por um fisioterapeuta especialista em recuperação esportiva, que definem a ordem, o tempo e a combinação de cada etapa conforme o objetivo de quem está ali. A banheira de contraste, por exemplo, alterna água quente e fria.
E não é só pra quem compete. O público inclui quem está treinando pra primeira meia maratona, quem vive na academia e quem só quer desacelerar depois do expediente.
Tem ciência nessa história também. Na Finlândia, onde a sauna é hábito, um estudo acompanhou 1.621 homens por quase 25 anos e associou o uso de quatro a sete vezes por semana a um risco cerca de 47% menor de pressão alta. Outro trabalho, publicado em 2016 na revista JAMA Psychiatry, mostrou que uma única sessão de aquecimento do corpo inteiro reduziu de forma significativa os sintomas de pacientes com depressão. Na Makoa, as sessões entram como aliadas da rotina de cuidado, somando ao acompanhamento médico de quem já trata alguma condição.
Rede em expansão
A expansão da marca é estruturada por uma incubadora de Santa Catarina que é sócia da Makoa e cuida do modelo de negócio e da rede. A ideia é chegar a cidades onde a corrida cresceu, mas a estrutura de recuperação ainda não. O investimento começa em R$ 150 mil.
“A Makoa tem algo que buscamos em toda marca: um comportamento de consumo que já existe e ainda não tem quem organize. O corredor está na rua. Faltava um lugar para ele ir depois”, afirma Danilo Santana, sócio e CEO da Enigma Franquias.
Pra quem vive nessa correria, a mensagem é direta: dá pra continuar treinando pesado sem deixar o cansaço virar bola de neve. A aposta da Makoa é que a recuperação entre na planilha com a mesma importância do treino, e não como um prêmio pra depois.
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