Ninguém da equipe ficou internado, as consultas foram poucas e, mesmo assim, o plano de saúde empresarial chegou com aumento de dois dígitos. Para quem tem um contrato pequeno, a explicação está numa regra que pouca gente conhece.
Ela vale para planos coletivos com menos de 30 beneficiários, faixa em que estão muitas micro e pequenas empresas. A corretora United Planos de Saúde explica como funciona e o que dá para fazer.
A conta é de todo mundo
A RN 565 (Resolução Normativa nº 565), de 2022, da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), manda cada operadora juntar todos os seus contratos com menos de 30 vidas num único grupo. O reajuste é calculado para esse grupo inteiro e aplicado igual para todos.
Traduzindo: um plano com duas ou três pessoas não tem o aumento definido pelo uso dessas duas ou três pessoas. Quem define é o que aconteceu no conjunto dos contratos pequenos daquela operadora.
“É uma proteção e é também uma perda de controle”, afirma Adriano Fernandes, diretor comercial da United Planos de Saúde. “A empresa não é penalizada por uma internação que aconteceu na sua equipe. Em compensação, usar pouco o plano não garante reajuste menor.”
E o aumento costuma ser maior
Os números da ANS mostram que esse grupo tem pagado mais caro. Em 2025, os contratos com menos de 30 vidas tiveram reajuste médio de 14,24%. Os maiores ficaram em 9,62%. Nos dois primeiros meses de 2026, um em cada quatro beneficiários com plano coletivo reajustado estava nessa faixa.
Para ter uma ideia da distância, o plano individual tem teto de 5,11% no ciclo de maio de 2026 a abril de 2027. Já a inflação oficial, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), acumulou 4,22% em 12 meses até agosto, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Com 30 vidas ou mais, o uso conta
A lógica só muda a partir de 30 beneficiários. Nesse caso, o reajuste é negociado entre empresa e operadora com base na sinistralidade do próprio contrato, que é a comparação entre o que entrou em mensalidades e o que saiu em atendimentos.
Dá para se proteger?
Como o índice do grupo precisa ser divulgado em maio no site da operadora, dá para olhar o histórico antes de assinar. A dica é pedir por escrito o percentual dos últimos três ciclos, a metodologia de cálculo, o número de vidas usado para formar o grupo e a data de aniversário do contrato.
Nas 24 operadoras analisadas pela United para o ciclo atual, os índices foram de 4,50% a 16,74%.
“O número que a empresa recebe não é aleatório, mas também não é padrão de mercado”, diz Adriano Fernandes. “Por isso, a comparação precisa acontecer antes da assinatura, não depois da carta de aumento.”
Se o aumento já veio, vale conferir se o percentual é o mesmo divulgado para o grupo e se o boleto não somou reajuste anual e mudança de faixa etária. A portabilidade de carências, que permite trocar de plano sem perder o tempo já cumprido, também é uma saída, desde que os requisitos da ANS sejam atendidos.
No plano empresarial pequeno, portanto, usar pouco não garante aumento menor, mas escolher bem a operadora faz diferença. Quem quer comparar pode ver as opções de plano de saúde empresarial para pequenas empresas.
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