Se você já pediu para uma ferramenta de inteligência artificial escrever a legenda do post da loja ou responder um cliente, saiba que está em boa companhia. Segundo a pesquisa Transformação Digital nos Pequenos Negócios 2026, do Sebrae em parceria com o Meta Instituto de Pesquisa, 52% dos empreendedores brasileiros usaram IA nas atividades do negócio nas duas semanas anteriores à entrevista. Nos Estados Unidos, pesquisa equivalente do U.S. Census Bureau registrou 21%.
E a vontade de usar mais continua alta: 60% dos brasileiros ouvidos pretendem adotar ou ampliar o uso no próximo semestre. A pesquisa entrevistou 7.182 donos de MEIs (microempreendedores individuais), microempresas e empresas de pequeno porte. Para a GestãoPro, empresa brasileira de ERP (sistemas de gestão empresarial) fundada em 2009 em Manduri (SP), o número mostra que a IA deixou de ser coisa de empresa grande. A questão agora é para onde ela vai.
Para que a IA está sendo usada
A resposta mais comum é a divulgação. Levantamento do Sebrae com o FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), divulgado em dezembro de 2025, mostra que 59% das micro e pequenas empresas usam a tecnologia em marketing e divulgação, com a comunicação logo atrás. A análise de dados vem em terceiro, com 30%. Nas médias e grandes, a ordem muda, e a análise de dados fica em primeiro, com 67%. Para os pequenos, o principal benefício percebido é a economia de tempo (34%).
O retrato das empresas com pelo menos dez funcionários segue a mesma direção. A 16ª edição da TIC Empresas, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), aponta que o uso de IA nas pequenas, de 10 a 49 funcionários, foi de 10% para 15% entre 2024 e 2025.
E no dia a dia da equipe?
A IA tem servido mais para ajudar do que para substituir. Segundo o Sebrae, o uso mais comum foi melhorar tarefas que os colaboradores já faziam (28%), seguido da criação de novas funções (19%). Para colocar as ferramentas em prática, 46% dos negócios precisaram criar novos fluxos de trabalho.
O próximo passo: as contas da empresa
Depois do post e da resposta ao cliente, a tendência é a IA chegar ao caixa, ao estoque e aos relatórios. Na gestão, ela costuma começar por tarefas repetitivas, como conciliação de dados, emissão de relatórios e organização financeira, e depois ajuda a identificar padrões de consumo, prever demanda e sinalizar riscos. A GestãoPro já usa a tecnologia nos próprios serviços, como em um módulo web com IA que gera relatórios gerenciais a partir do histórico de cada empresa. Segundo o Cetic.br, 80% das empresas que usam IA adquiriram sistemas prontos para uso.
“A inteligência artificial não substitui a gestão, mas amplia a capacidade de quem toma decisões. O dono do negócio continua decidindo. O que muda é a quantidade de informação organizada que ele tem em mãos na hora de decidir”, afirma Edson Souza, diretor da GestãoPro.
“A adoção tende a ser gradual. Começa pelos processos internos e avança para áreas mais complexas conforme a empresa ganha familiaridade com a tecnologia e confiança nos próprios dados”, diz Souza.
Para quem quer dar esse passo, a dica é começar por uma tarefa repetitiva e fácil de medir, como a conciliação bancária ou o resumo semanal de vendas. Antes, vale revisar o cadastro de clientes e produtos e combinar quem da equipe vai conferir os resultados nas primeiras semanas. Também é bom checar como a ferramenta guarda os dados dos clientes, conforme a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).
Para a GestãoPro, o empreendedor brasileiro já mostrou que topa experimentar. Hoje a IA está na divulgação; nos próximos anos, a expectativa é que ela ajude também a fechar o mês com mais clareza sobre o que entrou, o que saiu e o que precisa ser reposto.
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