Quem pesquisa curso de comissário de bordo a distância esbarra sempre na mesma dúvida, e ela não é sobre conteúdo. É sobre exposição: dá para se formar numa plataforma e depois encarar uma dinâmica de grupo, com recrutador observando postura, fala e apresentação, sem nunca ter passado por isso?
A desconfiança é legítima, porque é exatamente ali que as seleções eliminam. Os processos das companhias combinam avaliação presencial, testes de idioma e entrevistas, e as seleções internacionais que passam pelo Brasil chegam a observar o candidato pessoalmente antes de analisar o currículo a fundo.
A resposta do formato a distância não foi transformar tudo em vídeo. Foi separar o que precisa ser presencial e concentrar. No CEAB, escola de aviação com 27 anos de mercado, a teoria roda online em cerca de cinco meses, com realidade virtual 360° e simuladores, e a etapa presencial cobre dois dias seguidos com finalidades diferentes: no primeiro, as práticas obrigatórias de emergência, com sobrevivência em selva, exercícios no mar e combate ao fogo no centro de treinamento próprio. No segundo, o Open Day, jornada em hotel de alto padrão com palestras sobre o mercado da aviação e aulas práticas de postura, etiqueta e apresentação pessoal, que reúne a turma da modalidade recém-saída do dia de práticas. A próxima edição acontece em 27 de setembro.
“Quem estuda longe não pode chegar na seleção sendo a primeira vez que alguém olha para ele de perto. Esse é o risco real do ensino a distância, e é o risco que a gente decidiu tratar”, diz Salmeron Cardoso, diretor e CEO do CEAB.
Na prática, o aluno que estuda de casa faz uma viagem e atravessa as duas provas que o EAD supostamente não daria: a física, no centro de treinamento, e a de exposição, no dia seguinte.
O momento cobra essa preparação. LATAM, Gol e Emirates recrutam comissários no mesmo semestre, com regimes distintos de seleção, e o setor discute falta de tripulantes. Para quem estuda longe dos grandes centros, a régua de escolha do curso ficou simples: formação a distância sem etapa presencial de emergência é sinal de alerta, e formação que para na emergência entrega metade do preparo que a seleção vai cobrar.
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