Nos Vales Secos de McMurdo, a Don Juan Pond, lagoa salgada hipersalina antártica, permanece líquida onde o gelo domina. Quando o inverno pode chegar a −50 °C, sua água rica em cloreto de cálcio raramente congela, porque a concentração extrema de sais reduz fortemente o ponto de congelamento da água.
Onde fica a lagoa salgada que quase nunca congela?
A Don Juan Pond fica no setor superior do Vale Wright, dentro dos Vales Secos de McMurdo. É uma lagoa pequena e rasa, cercada por um ambiente polar extremamente árido onde outros corpos d’água costumam formar camadas espessas de gelo durante o frio.
Essa combinação torna o lugar incomum: há temperaturas muito baixas, pouca precipitação e água líquida concentrada em uma depressão rasa. O que impede o congelamento frequente não é uma fonte de calor escondida, mas a química da própria salmoura acumulada na lagoa.

Por que o cloreto de cálcio muda tanto o congelamento?
Quando sais se dissolvem na água, eles dificultam a organização das moléculas na estrutura cristalina do gelo. Na Don Juan Pond, a salinidade acima de 40% e a grande presença de cloreto de cálcio produzem uma depressão muito intensa do ponto de congelamento.
Por isso, o comportamento da lagoa é diferente do de água doce exposta à mesma temperatura. A salmoura concentrada consegue permanecer líquida em condições nas quais lagos próximos congelam, embora a quantidade de água e a concentração de sais possam variar conforme entrada, evaporação e condições sazonais.
Quão extrema é a salinidade da Don Juan Pond?
A diferença de salinidade fica mais clara quando os valores são colocados lado a lado. A água dos oceanos tem salinidade média muito menor, enquanto a Don Juan Pond reúne uma concentração que transforma completamente suas propriedades físicas e seu comportamento no frio.
Algumas referências ajudam a dimensionar essa diferença de salinidade:
- Don Juan Pond: mais de 40% de sal em medições citadas por órgãos científicos.
- Mar Morto: cerca de 34%, ainda abaixo da lagoa antártica.
- Oceanos: aproximadamente 3,5% de salinidade média.
- Composição dominante: a salmoura é especialmente rica em cloreto de cálcio.

De onde vem a água que mantém essa lagoa ativa?
A origem exata da água e dos sais continua sendo estudada. Trabalhos já propuseram contribuições de umidade atmosférica, derretimento superficial e águas subterrâneas. Um registro técnico descreve mais de uma possível fonte de água, mostrando que o sistema pode envolver processos subterrâneos e próximos da superfície.
Isso importa porque a lagoa é muito rasa e pode mudar de tamanho. Pequenas entradas de água, seguidas por perda por evaporação ou sublimação, alteram a concentração da salmoura. O resultado é um ambiente dinâmico, mesmo parecendo apenas uma fina lâmina líquida no fundo do vale.
Por que uma lagoa tão pequena interessa tanto à ciência?
A Don Juan Pond reúne frio extremo, aridez e salmouras concentradas no mesmo lugar. Essa combinação permite estudar água líquida em condições limite, além de processos químicos que dificilmente aparecem juntos em ambientes mais comuns da Terra.
O principal motivo de ela continuar líquida, porém, é direto: muito sal, especialmente cloreto de cálcio, reduz o ponto em que a água congela. É essa química que faz uma pequena lagoa antártica permanecer líquida enquanto grande parte da paisagem ao redor passa meses dominada pelo gelo.
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