No Everest, até a urina deixada por milhares de visitantes entrou na conta do calor gerado no acampamento-base. Um estudo estimou que a urina dos turistas liberada sobre a geleira Khumbu poderia fornecer energia suficiente para derreter o equivalente a 154 toneladas de gelo durante uma temporada inteira.

Como a urina no Everest entrou no cálculo do derretimento?

O acampamento-base fica sobre a geleira Khumbu, onde milhares de pessoas permanecem durante a temporada de escalada. Como boa parte da urina é descartada sobre o gelo, os pesquisadores calcularam quanta energia térmica esse líquido transfere ao ambiente.

O resultado foi uma equivalência de derretimento, não uma pesagem direta de gelo desaparecido. A estimativa indica que o calor associado à urina produzida ao longo da temporada teria energia suficiente para fundir cerca de 154 toneladas de gelo e neve nas condições consideradas.

No Everest, a urina dos turistas pode derreter o equivalente a 154 toneladas de gelo, segundo estudo
Urina no Everest entra no cálculo do derretimento local

O que o estudo mediu além das 154 toneladas?

O estudo registrado pelo U.S. Geological Survey analisou a primavera de 2023 e calculou também o calor liberado por gás, querosene e gasolina usados no acampamento. Somadas, as fontes humanas chegaram a 849.174 megajoules.

Essa energia seria suficiente para derreter cerca de 2.492 toneladas de gelo e neve, com margem de incerteza no cálculo. A maior parcela veio dos combustíveis, enquanto a urina representou uma fração menor, mas chamou atenção por ser uma fonte de calor pouco lembrada.

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Por que a temporada de escalada concentra tanto impacto?

O problema ganha escala porque o acampamento funciona como uma pequena estrutura temporária sobre a geleira. Durante cerca de 50 dias, milhares de visitantes, guias e trabalhadores precisam cozinhar, aquecer espaços, gerar eletricidade e lidar com resíduos, somando diferentes fontes de calor local.

Os números da temporada ajudam a dimensionar essa concentração:

  • Mais de 6.000 litros: é a estimativa diária de urina produzida durante o período de maior movimento.
  • Cerca de 1.600 barracas: formavam a estrutura considerada pelos pesquisadores na temporada analisada.
  • 50 dias: foi a duração aproximada usada para estimar o impacto térmico da temporada de primavera.
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Urina no Everest entra no cálculo do derretimento local

O aquecimento do acampamento aparece também nos dados de satélite?

Uma análise divulgada pela Group on Earth Observations aponta que a superfície do acampamento apresentou tendência de aquecimento de cerca de 0,28 °C por ano entre 1991 e 2023, acima das áreas glaciais próximas avaliadas no mesmo trabalho.

Isso não transforma a atividade turística na causa principal da perda de gelo. A pesquisa trata o aquecimento global como o grande pano de fundo e examina como combustíveis e resíduos adicionam calor diretamente em uma área já vulnerável durante as semanas de maior ocupação humana.

O que as 154 toneladas realmente dizem sobre o impacto humano?

A cifra mostra que até uma fonte aparentemente pequena pode ser quantificada quando milhares de pessoas se concentram no mesmo ponto. No caso da urina no Everest, o número expressa o potencial térmico calculado para uma temporada, não uma medição isolada de gelo retirada do terreno.

O quadro completo é maior: combustíveis, resíduos e infraestrutura se acumulam sobre uma geleira em transformação. A principal conclusão é que reduzir fontes locais de calor e melhorar o manejo de resíduos pode diminuir pressões adicionais, mesmo que a mudança climática continue sendo o fator dominante na perda de gelo.

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