Crédito aprovado, nome limpo, experiência de gestão, contatos com fornecedores, parceiros e uma carteira de clientes ativa. Empresários com uma operação rentável acumulam esses ativos ao longo dos anos, mas costumam usá-los só dentro da própria empresa. O Método Ikimoto, criado pelo empresário Guilherme Matsumoto, propõe transformar essa estrutura no ponto de partida para novos negócios. Com eles, o empresário monta um portfólio que reduz a dependência de uma única fonte de renda.
Matsumoto é sócio investidor de um portfólio que inclui a Serena Iade, um lar de idosos, o espaço de coworking Kaizen e a barbearia Dommo e outras doze empresas. O nome do método remete à ideia de “base da vida”. “Quem concentra toda a renda em uma empresa fica vulnerável a qualquer crise do mercado ou do setor. Uma carteira de negócios dá sustentação financeira para atravessar esses momentos”, afirma.
O que é o Método Ikimoto?
O Método Ikimoto é uma metodologia para empresários que já têm uma operação consolidada e querem abrir novos empreendimentos a partir da base construída no primeiro. A lógica se inspira no princípio de Pareto. Segundo Matsumoto, quem parte de uma estrutura pronta, com crédito, rede de contatos e conhecimento técnico, precisa de cerca de 20% do esforço exigido na primeira empresa para alcançar 80% dos resultados. Por isso, ele considera uma alternativa mais segura e inteligente conduzir mais de um negócio com dedicação e lucratividade do que concentrar 100% da energia em um só, ainda mais em um cenário de incertezas em relação ao futuro do país.
Um escritório de contabilidade em fase de inauguração ilustra a tese. De acordo com o empresário, a operação atinge o ponto de equilíbrio já na abertura e projeta lucro acima da média do mercado. Esse resultado se apoia nas décadas de experiência dos sócios, no formato enxuto, sem grandes custos fixos, e na rede de contatos.
Quais são os quatro pilares do Método Ikimoto?
O Método Ikimoto se apoia em quatro pilares: sócio, financeiro, processos e competências/networking.
O primeiro pilar trata da escolha do sócio operador, responsável pelo dia a dia da empresa. Matsumoto recomenda priorizar valores em comum, competência técnica na área de atuação e afinidade de contexto entre as partes, o que diminui o risco de conflito societário. A divisão padrão costuma ser de 50% para cada lado. Cláusulas de governança dão ao investidor a palavra final em decisões administrativas e ao operador autonomia nas decisões técnicas. A formalização usa dois documentos: o contrato social é público, enquanto o acordo de sócios é privado e define atribuições, prazos, regras de saída e a forma de resolver divergências.
O segundo pilar é o financeiro. Ele inclui a análise de viabilidade, a projeção de retorno sobre o investimento e o cálculo do ponto de equilíbrio. Abrange também a captação de recursos, por crédito bancário ou por aportes de próprios ou de conhecidos. O próprio Matsumoto montou um estúdio sem usar capital próprio: o investimento inicial veio de terceiros e é devolvido depois, com juros.
A remuneração do sócio operador segue a mesma lógica de proteger o caixa e manter o custo fixo baixo. Em empresas criadas do zero, o método dispensa o pró-labore fixo. No lugar dele, o operador recebe por serviço prestado, com valores compatíveis a média de mercado, e participa da divisão de lucros ao fim de cada mês. “Pró-labore fixo numa empresa que acabou de nascer pode sufocar o caixa. Quando o operador ganha com o resultado, ele recebe mais quando o negócio prosperar”, explica.
O terceiro pilar reúne processos e gestão, o que Matsumoto chama de “arroz com feijão” de qualquer operação. Ele se divide em quatro frentes:
marketing, com redes sociais, Google Meu Negócio, SEO e tráfego, executados no início pelo próprio operador;
comercial, com atendimento rápido e foco em conversão;
administrativo e financeiro, com controle de fluxo de caixa, despesas fixas e metas mensais;
operação com processos e rotinas bem definidos e otimizados para melhoria contínua.
A orientação é manter a estrutura enxuta, porém otimizada para resultados. Matsumoto relata o caso de vendedores que perdiam cerca de 15 minutos preenchendo formulários. Uma ação foi contratar um jovem aprendiz para o backoffice e liberar a equipe para vender, atender e montar orçamentos, gerando mais retorno.
O quarto pilar, competências e networking, trata dos relacionamentos e habilidades que o empresário já tem, usando isso como diferencial. Acesso direto a profissionais e a órgãos públicos, contato com fornecedores e uma base de clientes pronta para receber novos serviços funcionam como vantagem competitiva desde o primeiro dia. No 15º negócio do portfólio, o Amigo Secreto.com.br, especialistas em tecnologia trouxeram melhorias sem custo adicional, apenas por relacionamento.
Como o método funciona na prática?
A Serena Idade é o principal caso citado por Matsumoto. É um lar de idosos com cerca de 20 colaboradores e mensalidades entre R$ 5.000 e R$ 8.000. A empresa passou por uma reestruturação societária, comercial e financeira, que incluiu humanização do perfil no Instagram, captação de clientes pelo Google ADS e pelo Google Meu Negócio, reorganização da equipe comercial e adoção de processos administrativos mais rigorosos.
O ticket médio subiu de R$ 3.000 para R$ 5.300, e a meta é chegar a uma faixa entre R$ 6.000 e R$ 6.500. Passados mais de dois anos, a presença física do sócio-investidor na operação é muito menor. Para Matsumoto, isso mostra que a dedicação mais intensa se concentra no início e cai à medida que o negócio se consolida.
No Kaizen, espaço de coworking, a operação em Campinas passou de 7 para 16 salas e uma unidade nova em Paulínia. O plano é abrir mais quatro ou cinco unidades quando algumas projeções financeiras forem atingidas. A Dommo Barber Lounge, barbearia criada com baixo investimento e modelo de sociedade, tem plano de expansão em unidades próprias para os próximos cinco anos.
Para quem o Método Ikimoto é indicado?
O Método Ikimoto é indicado para empresários com um negócio em operação e faturamento acima de R$ 100 mil por mês. Na avaliação de Matsumoto, esse perfil já desenvolveu habilidades de gestão, comunicação e inteligência emocional, o que permite concentrar a energia no novo empreendimento. O foco do método é a abertura de novas empresas. Quando a demanda é corrigir um negócio já existente, o caso é encaminhado a profissionais parceiros. A prioridade são negócios ligados a demandas concretas de mercado, longe de modelos especulativos e “da moda”.
Entre as próximas frentes, Matsumoto pretende testar um modelo em que um executivo contratado para operar a empresa recebe participação societária de forma gradual, em faixas de 1%, 2%, 5% e 10%, conforme metas e resultados.
Como funciona a mentoria do Método Ikimoto?
Guilherme Matsumoto conduz uma mentoria individual para empresários experientes que querem abrir o próximo negócio sem repetir os erros do primeiro nem gastar tempo e energia além do necessário. O programa entrega um mapa estruturado nos quatro pilares do método, com modelos prontos de contrato social, de acordo de sócios, análises de viabilidade e gestão que podem ser adaptados a cada operação. Empresários que planejam diversificar a renda com uma nova empresa podem chamar Guilherme Matsumoto para uma conversa e realizar um diagnóstico de como o Método Ikimoto se aplica ao próprio momento.
Instagram: Matsu.guilherme
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