Imagine pegar o manual de abertura de uma loja, guardado em PDF, e transformar esse material em um vídeo com apresentador e narração, pronto para os funcionários assistirem. É essa a proposta do CRIAR, ferramenta de inteligência artificial lançada pela Inspand no Campinas Innovation Week, evento que reuniu mais de 23 mil pessoas em Campinas, no interior paulista, entre 14 e 18 de setembro.

A Inspand é a empresa por trás do Neolude, plataforma de educação corporativa usada por companhias como Natura, GOL Linhas Aéreas, FEBRABAN, Amil e Ipiranga. O novo produto saiu do INLab, núcleo de inteligência artificial que a empresa criou em 2026.

Como funciona, etapa por etapa

Tudo começa com o gestor de treinamento. Ele escreve qual é o assunto do curso, por exemplo o procedimento de abertura de uma loja, e anexa o material que tiver em mãos, como um manual em PDF.

Depois, entra em cena a assistente virtual. Ela pesquisa o tema, lê o documento enviado e escreve o roteiro. O gestor pode ler esse texto, fazer os ajustes que achar necessários e só então seguir adiante.

Com o roteiro aprovado, o vídeo pode ser gerado com um apresentador virtual e narração em português ou em outro idioma. O resultado já sai pronto para entrar na plataforma em que os funcionários fazem seus cursos.

Um time inteiro dentro de uma esteira

Por trás desses passos existe uma esteira de produção em que diferentes etapas são apoiadas por agentes de IA, fazendo o trabalho que normalmente seria dividido entre vários profissionais. Segundo a Inspand, o processo permite produzir um conteúdo com cerca de 10% do orçamento e 10% do tempo de uma produção tradicional.

“Toda vez que uma empresa vai produzir um conteúdo, ela precisa de roteirista, de designer instrucional, de revisor, de designer gráfico. Se for vídeo, precisa contratar ator e estúdio. A empresa que já tem esse time passa a produzir muito mais com ele. A que não tem passa a ter, com um agente virtual ali para atender cada demanda”, explica Cristiano Franco, CEO da Inspand.

Por que isso faz diferença no dia a dia

Quem já trabalhou em empresa grande sabe como é: um procedimento muda em março, a área de treinamento recebe o pedido em abril, consegue gravar em maio e publica o curso em junho. Nessa altura, a regra pode já ter mudado de novo, e cada gerente vai ensinando a própria versão.

Com a esteira, o conhecimento de quem entende do assunto pode virar conteúdo sem que essa pessoa precise parar o trabalho para enfrentar roteiro, gravação, estúdio e edição. E a demanda não para de crescer: segundo a Pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil, da ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento), as empresas brasileiras aplicaram 26 horas de treinamento por funcionário em 2025.

A IA também ajuda a revisar

A ferramenta ganhou há pouco um recurso extra, que a empresa chama de Inteligência Cognitiva. Ele analisa elementos como imagem, áudio e linguagem e oferece novas informações sobre os estímulos cerebrais presentes na experiência. Assim, quem monta o curso tem mais elementos para decidir o que ajustar antes de publicar. E a publicação final continua sendo feita por uma pessoa.

“A IA pode acelerar processos, ampliar nossa capacidade e nos permitir produzir muito mais. Mas tecnologia, sozinha, não transforma pessoas. O que faz diferença é o que fazemos com ela. E acredito que o resultado de uma pessoa trabalhando com IA será sempre melhor do que o da IA trabalhando sozinha”, afirma o executivo, que foi embaixador da trilha “Impacto, Pessoas e Experiência” do evento.

Na prática, criar um vídeo com apresentador virtual para a empresa passa a depender de três movimentos: dizer o assunto, entregar o material de base e revisar o roteiro. O restante da produção fica por conta da esteira do CRIAR.

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