Receber o diagnóstico de câncer de próstata assusta, e a primeira pergunta de muito homem é direta: vou ter que operar? A resposta é que depende. Nem todos os pacientes seguem o mesmo caminho. Tem caso em que o médico apenas acompanha e tem caso em que indica algum tipo de intervenção.

Quem explica é o urologista Alberto Tomé (@dr.albertotome no Instagram), que atende em Umuarama e Cianorte, no interior do Paraná. Segundo ele, o câncer de próstata não se comporta do mesmo jeito em todo mundo. Onde o tumor está, o tamanho, a agressividade, a idade do paciente e as condições de saúde entram na conta na hora de definir o que fazer.

Tratar só onde está o problema

Para pacientes selecionados, uma das possibilidades é a terapia focal. Como o nome indica, o tratamento se concentra na região onde está a lesão e busca preservar as partes da próstata que não foram comprometidas. Não é para qualquer caso: a indicação depende das características do tumor e de uma avaliação individual.

Quando é preciso operar

Se a indicação for retirar a próstata, a cirurgia robótica é uma das alternativas. Ela é feita por pequenas incisões, dá ao cirurgião uma visão ampliada e conta com instrumentos de movimentos precisos. Comparada à cirurgia aberta, pode estar associada a menor perda de sangue, menos tempo no hospital e recuperação mais rápida.

Tomé opera com robô desde 2021, depois de se especializar no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Certificado na plataforma Da Vinci, ele também faz cirurgias em Maringá, Londrina e São Paulo.

Mas o médico avisa que máquina nenhuma resolve sozinha. “A tecnologia amplia nossas possibilidades, mas não substitui a decisão médica. O mais importante é compreender a doença, avaliar o paciente individualmente e, a partir disso, definir a estratégia mais adequada”, afirma.

Tudo começa com um bom diagnóstico

Para escolher o caminho certo, é preciso conhecer bem o tumor, e quem confirma o diagnóstico é a biópsia. Nessa etapa, Tomé usa um aparelho que ainda é raro no Brasil: o micro-ultrassom ExactVuDescobriu câncer de próstata? Nem todo caso vai para a cirurgia. Em março deste ano, ele se tornou o quinto médico do País e o segundo do Paraná a ter o equipamento.

O aparelho trabalha em frequência de 29 MHz e mostra a próstata em alta resolução e em tempo real. Assim, durante a biópsia, o médico enxerga as áreas suspeitas e direciona a coleta para os pontos que precisam de mais investigação.

Não espere doer

Um alerta importante: no começo, o câncer de próstata pode não dar sintoma nenhum. Por isso, a avaliação não deve depender só de sentir alguma coisa. O médico leva em conta idade, histórico da família, exames e outros fatores de risco. Se o pai ou o irmão teve a doença, principalmente antes dos 60 anos, a atenção deve ser maior. Quando e como investigar é uma decisão individual, tomada junto com o médico.

E o assunto não é pequeno. Tirando o câncer de pele não melanoma, o de próstata é o tumor mais incidente entre os homens brasileiros. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 77.920 novos casos por ano entre 2026 e 2028, o equivalente a 30,5% dos novos diagnósticos de câncer entre os homens.

Recurso de capital no interior

Tomé quer que esse tipo de tecnologia chegue a quem mora longe dos grandes centros e planeja levar o micro-ultrassom também a Mato Grosso do Sul. “Minha formação e minha atuação em grandes centros me permitem acompanhar de perto a evolução da urologia, mas sempre tive o propósito de fazer esse conhecimento e essas tecnologias chegarem também a outras regiões. O paciente não deveria precisar estar em uma grande capital para ter acesso a recursos avançados de diagnóstico e tratamento”, diz.

Então, respondendo à pergunta: não, nem todo câncer de próstata termina em cirurgia. Alguns casos são acompanhados, outros podem receber tratamento focal e outros precisam de operação. Micro-ultrassom, terapia focal e cirurgia robótica têm indicações diferentes e não servem para todos os pacientes. Quem define é o médico, olhando para cada caso.

https://www.instagram.com/dr.albertotome/

O post Descobriu câncer de próstata? Nem todo caso vai para a cirurgia apareceu primeiro em UAI Notícias.