O vulcão Hunga, em Tonga, desapareceu parcialmente da superfície depois da grande erupção de 2022, mas a mudança mais dramática ocorreu embaixo d’água. Novos levantamentos mostraram que a caldeira passou de cerca de 150 metros para aproximadamente 850 metros abaixo do nível do mar, um afundamento de cerca de 700 metros.
O que aconteceu com o Hunga depois da erupção?
A erupção do Hunga Tonga-Hunga Ha’apai destruiu grande parte da estrutura visível e alterou o relevo submarino ao redor do vulcão. O que antes ligava as ilhas de Hunga Tonga e Hunga Ha’apai foi profundamente reconfigurado.
Na superfície, isso apareceu como perda de terra e mudança no contorno das ilhas. No fundo do mar, o efeito foi ainda maior, porque a caldeira central sofreu colapso expressivo e passou a ocupar um volume muito mais profundo do que o registrado antes da explosão.

Como os pesquisadores descobriram esse afundamento de cerca de 700 metros?
O PMEL da NOAA informou que os resultados mostraram a caldeira escavada até cerca de 850 metros de profundidade. Antes da erupção, o topo da caldeira estava por volta de 150 metros abaixo do nível do mar.
Essa comparação indica um aprofundamento próximo de 700 metros. Em termos práticos, os pesquisadores não estavam apenas revisando um mapa antigo, mas documentando um relevo submarino novo, criado por um dos eventos vulcânicos mais notáveis já observados no oceano recente.
Por que foi preciso voltar ao local com navios e veículos não tripulados?
O relevo ficou grande demais para ser compreendido apenas por imagens de satélite ou observação distante. A página da Earth Sciences New Zealand, sucessora da NIWA, destaca que a equipe mapeou milhares de quilômetros quadrados do fundo do mar e coletou dados diretamente sobre a área afetada.
Essa volta ao local permitiu combinar sonar, coleta de amostras e veículos remotos. Em um vulcão escondido sob o Pacífico, a única maneira de enxergar a nova forma da cratera era literalmente redesenhar o fundo com medições feitas no próprio mar.

Como esse mapeamento aconteceu no campo?
Na prática, o trabalho reuniu diferentes frentes:
- Sonar: desenhou a forma atual do fundo ao redor da caldeira.
- Veículos remotos: ampliaram a cobertura em áreas difíceis de acessar.
- Amostras: ajudaram a estudar sedimentos, água e material vulcânico.
- Comparação: os novos dados foram confrontados com mapas anteriores.
- Monitoramento: sensores também buscaram sinais de atividade residual.
Por que essa cratera afundada impressiona tanto?
O impacto vai além do número. Um vulcão que muda sua caldeira em cerca de 700 metros depois de uma única crise mostra como o fundo do oceano pode ser remodelado em pouquíssimo tempo. No Hunga, a paisagem submarina passou por uma transformação radical que quase não é percebida da superfície.
É isso que torna o caso tão marcante. O oceano escondia a parte principal da história, e só o mapeamento posterior revelou a escala do colapso. A nova cratera do Hunga funciona como uma lembrança de que, no mar, grandes desastres geológicos podem continuar invisíveis mesmo depois de já terem mudado tudo lá embaixo.
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