No Ártico norueguês, o Svalbard Global Seed Vault abriga mais de 1,4 milhão de amostras de sementes dentro de uma montanha. São duplicatas enviadas por bancos genéticos de diversos países, mantidas sob refrigeração para recuperar variedades agrícolas caso os acervos originais sofram perdas em situações de emergência.

Como uma montanha em Svalbard virou um cofre mundial de sementes?

O Banco Global de Sementes de Svalbard foi inaugurado em fevereiro de 2008, na ilha de Spitsbergen. A instalação fica próxima ao Polo Norte e funciona como uma reserva para coleções agrícolas que já existem em instituições de pesquisa e conservação espalhadas pelo planeta.

Seu propósito é oferecer uma cópia de segurança física dessas coleções. Quando um banco genético sofre perdas causadas por desastres, conflitos ou problemas técnicos, as duplicatas armazenadas podem ajudar a reconstruir o acervo. Assim, a instalação protege materiais que levaram décadas para serem reunidos.

Dentro de uma montanha no Ártico, uma instalação já guarda mais de 1,4 milhão de amostras de sementes como cópias de segurança da agricultura mundial
Cofre de Svalbard protege mais de 1,4 milhão de amostras de sementes

Por que o frio do Ártico ajuda a conservar as sementes por tanto tempo?

As câmaras de armazenamento foram construídas profundamente dentro de uma montanha, protegidas por rochas e pelo ambiente de permafrost, nome dado ao terreno que permanece congelado durante pelo menos dois anos consecutivos. Essas características ajudam a reduzir as variações térmicas ao redor da instalação.

O sistema descrito pelo Crop Trust mantém as sementes a aproximadamente −18 °C. Elas ficam em embalagens especiais, organizadas em caixas sobre prateleiras. O ambiente frio e a baixa umidade reduzem a atividade metabólica das sementes, favorecendo sua conservação por períodos prolongados.

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Como mais de 1,4 milhão de amostras de sementes chegaram ao cofre?

O marco foi registrado em junho de 2026, quando o total chegou a 1.401.285 amostras. Naquela operação, foram recebidas 15.387 novas amostras enviadas por 11 bancos genéticos, completando o septuagésimo depósito realizado desde a inauguração.

Uma amostra não significa uma espécie diferente. Ela pode representar uma variedade agrícola específica ou uma população com determinadas características genéticas. Por isso, o acervo reúne múltiplas variedades de uma mesma cultura, preservando diferenças relacionadas à adaptação ambiental, resistência a doenças e outras características relevantes.

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Cofre de Svalbard protege mais de 1,4 milhão de amostras de sementes

Quais alimentos têm suas variedades protegidas nessa reserva subterrânea?

A coleção reúne culturas agrícolas essenciais para a alimentação humana, incluindo cereais, leguminosas e hortaliças. Algumas variedades possuem características pouco comuns, que podem ser importantes para o desenvolvimento de novas plantas adaptadas a condições ambientais diferentes das atuais.

Entre os principais grupos de sementes conservadas, aparecem:

  • Trigo: variedades cultivadas em diferentes regiões, com características próprias de adaptação e produtividade.
  • Arroz: materiais genéticos de uma das culturas alimentares mais importantes do planeta.
  • Milho: variedades tradicionais e comerciais com diferenças relevantes para o melhoramento agrícola.
  • Feijão e outras leguminosas: coleções de plantas utilizadas como fontes de proteínas na alimentação.
  • Sorgo: variedades importantes para sistemas de produção em regiões com menor disponibilidade de água.
  • Hortaliças: sementes de plantas utilizadas em diferentes tradições alimentares e sistemas agrícolas.

O que acontece quando um banco genético precisa recuperar suas sementes?

O material armazenado continua pertencendo à instituição que realizou o depósito. As caixas permanecem fechadas, e o direito de solicitar a retirada é mantido pelo depositante. Essa organização permite preservar a segurança do acervo sem transferir a propriedade das coleções para o responsável pela instalação.

O cofre de Svalbard não substitui os bancos genéticos que estudam, multiplicam e disponibilizam sementes diariamente. Sua função é garantir uma segunda possibilidade de recuperação. Com mais de 1,4 milhão de amostras protegidas dentro da montanha, a instalação mantém parte da diversidade agrícola disponível para necessidades futuras.

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