A pouca distância de Porto Alegre, uma cidade industrial moderna guarda uma origem indígena e um morro que virou seu símbolo. Essa é Gravataí, na Região Metropolitana do Rio Grande do Sul. Nascida de uma aldeia de índios guaranis no século 18, hoje é uma das maiores economias do estado, num contraste curioso entre o passado de refúgio e o presente de linha de montagem.
A aldeia de guaranis que fugiram de uma guerra
A história da cidade começa com um conflito. Com a Guerra Guaranítica, cerca de mil índios guaranis que fugiam dos Sete Povos das Missões foram levados para as margens do Rio Gravataí em 1762, dando origem ao povoado, segundo a Câmara Municipal de Gravataí.
A fundação oficial veio logo depois. Em abril de 1763, nascia a Aldeia de Nossa Senhora dos Anjos, primeiro nome de Gravataí, que só se emancipou de Porto Alegre em 1880, quando virou vila. A herança indígena está registrada no hino e na memória da cidade.

O menino de pedra que virou símbolo da cidade
O cartão-postal natural fica entre a zona rural e a urbana. O Morro Itacolomi, cujo nome significa menino de pedra em tupi, tem cerca de 320 metros de altitude e estampa o brasão da cidade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O morro é um pequeno santuário ecológico. Recoberto de Mata Atlântica, abriga lontras, bugios e capivaras, e foi declarado Patrimônio Cultural Gaúcho, junto com o Rio Gravataí, pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. A subida rende vista de várias cidades da região metropolitana.

A herança açoriana e o casarão com senzala
Outra raiz da cidade veio do Atlântico. Famílias açorianas ajudaram a povoar o Vale do Rio Gravataí no século 18, herança preservada hoje na Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul, espaço cultural com visitas guiadas e protegido por lei de tombamento.
O passado rural também deixou marcas. O Sítio do Sobrado, casarão em estilo português de 1882, tem em seu porão uma antiga senzala e hoje abriga órgãos ligados ao meio ambiente, num registro vivo da história escravista da região.
O que fazer em Gravataí?
A cidade combina natureza, cultura e história colonial. Entre os principais pontos, destacam-se:
- Morro Itacolomi: trilha e escalada até o cume, com vista de Gravataí e de cidades vizinhas como Porto Alegre.
- Casa dos Açores: centro cultural sobre a colonização açoriana, com visitas guiadas e atividades artísticas.
- Pampas Safari: parque de mais de 300 hectares com animais soltos, visitado de carro.
- Museu Municipal Agostinho Martha: acervo histórico em casarão colonial português do século 19.
- Orla do Rio Gravataí: espaço inaugurado em 2020, com ciclovia e área de lazer à beira-rio.
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No conteúdo, o canal Amo Estrada mostra um roteiro completo explorando o centro da cidade de Gravataí, a praça principal, o centro gastronômico, o Shopping Gravataí e pontos turísticos como igrejas e monumentos, além de compartilhar dicas sobre a localização da cidade, situada a 25 km de Porto Alegre.
O contraste entre a aldeia e a linha de montagem
A virada econômica veio no ano 2000. A instalação do complexo da General Motors, inaugurado em 20 de julho daquele ano, transformou Gravataí e trouxe o Chevrolet Celta, primeiro modelo produzido na fábrica.
O impacto foi profundo. A unidade foi a primeira da montadora no Brasil fora de São Paulo e ajudou a cidade a saltar para uma das maiores economias do estado, segundo o Governo do Estado do Rio Grande do Sul. A antiga aldeia de refugiados virou uma das principais cidades industriais gaúchas.
Conheça a cidade do menino de pedra
Gravataí reúne origem indígena, herança açoriana e força industrial a poucos minutos de Porto Alegre. Poucas cidades da região metropolitana escondem um contraste tão grande entre o passado de refúgio e o presente de progresso.
Vale conhecer Gravataí, subir o Morro Itacolomi e descobrir a história da aldeia que virou potência às portas da capital gaúcha.
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