A comparação que todo mundo faz tem duas colunas: quanto custa a licença, quanto custa o projeto. Falta uma. Ao fim de um projeto construído, a empresa fica com o sistema e com as pessoas que aprenderam a operá-lo. Ao fim de uma licença, fica com a renovação.

“Quando a empresa constrói, o que sobra no fim do projeto não é só o sistema. É gente que entende o próprio dado. Isso não vem em renovação de contrato”, explica Guilherme Friol, CEO da Vircos, empresa de engenharia de inteligência artificial corporativa.

E não é preciso montar um laboratório. O time interno de uma empresa média tem duas ou três pessoas, que não treinam modelo do zero.

“O time interno não precisa ser grande nem competir com big tech. Precisa saber o que roda onde, por que roda e o que fazer quando parar. É essa capacidade que vira ativo de retenção e de valuation”, diz o executivo.

O argumento pesa mais porque profissional de tecnologia é escasso: a Brasscom estimou demanda de quase 800 mil profissionais entre 2021 e 2025, contra formação anual de cerca de 53 mil. Formar dentro de casa, no projeto, resolve contratação e retenção ao mesmo tempo, e numa conversa com investidor “o sistema é nosso e o time é nosso” vale mais do que “é uma licença anual”.

Friol delimita: para o que toda empresa faz igual, a licença é a compra certa. Em resumo: a pergunta não é comprar ou construir. É o que a empresa vai saber fazer sozinha no fim.

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