Assessor de investimentos não é de graça. Ele é pago pela corretora ou pelo banco, e essas instituições são remuneradas por quem emite e distribui os produtos que entram na sua carteira: parte da taxa do fundo, um pedaço do que o título de crédito privado rende ou uma comissão da emissão. O dinheiro sai do seu rendimento antes de chegar até você. Por isso, parece um serviço gratuito.

Para acabar com essa visão, desde 1º de novembro de 2024, passou a ser obrigatório mostrar esse custo. A Resolução CVM 179 exige que corretoras e bancos enviem, a cada três meses, um extrato com quanto receberam por causa das suas operações, produto por produto, em reais e em percentual. Segundo Leandro Siqueira, sócio-fundador da VAROS, consultoria de investimentos autorizada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), é o documento mais importante que o investidor recebe e o menos lido.

“A pergunta que eu mais ouço de quem chega com patrimônio relevante é: mas eu não pago nada para o meu assessor. Paga. Só não vê. A remuneração está dentro do produto: na taxa do fundo, no spread do título ou no rebate da emissão. O extrato trimestral existe justamente para tirar esse custo de dentro do produto e mostrá-lo para o cliente”, afirma Leandro Siqueira, sócio-fundador da VAROS.

Para descobrir quanto você paga: abra o aplicativo da corretora ou do banco e procure o extrato de remuneração do último trimestre (o nome varia conforme a instituição). Pegue o valor total, multiplique por quatro e divida pelo que você tem investido. O resultado é o custo anual do serviço em percentual. Alguém com R$ 5 milhões e R$ 12 mil no trimestre paga perto de 1% ao ano.

Existe outro modelo, em que o profissional é pago só por você. É o consultor de valores mobiliários, regulado pela Resolução CVM 19, que cobra um percentual sobre o patrimônio, combinado em contrato, e não pode receber de banco, corretora ou gestora.

“Se o profissional é remunerado por quem emite ou distribui o produto, o incentivo dele está do lado da prateleira. Se ele é remunerado pelo cliente, o incentivo está do lado da carteira. Quem paga o profissional define o que ele recomenda, e isso vale para qualquer mercado”, diz Siqueira.

Qual dos dois é melhor depende do tamanho do patrimônio e do que está na carteira. Para valores menores, o modelo comissionado costuma ser a porta de entrada. Para quem já tem alguns milhões, o desenho da remuneração passa a pesar de verdade no resultado.

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