Quatro cidades brasileiras receberam o título de Cidade Criativa da Gastronomia da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), e São Paulo emplacou sete restaurantes no ranking latino-americano da gastronomia. Esse é o mapa do sabor brasileiro que cruzou fronteiras.

Por que essas cidades viraram referência internacional

O selo de Cidade Criativa da Gastronomia da UNESCO é concedido a municípios que transformam a culinária em ferramenta de inclusão, educação e desenvolvimento sustentável. No Brasil, apenas quatro cidades carregam esse título: Belém, Paraty, Florianópolis e Belo Horizonte.

Fora dessa rede, São Paulo conquistou espaço próprio na alta gastronomia. Em 2024, a capital paulista emplacou sete restaurantes no Latin America’s 50 Best Restaurants, mais que qualquer outra cidade brasileira. Juntas, as cinco cidades formam o mapa internacional do sabor nacional.

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Belém é a única cidade brasileira na lista da UNESCO para gastronomia e acaba de sediar a COP30 (imagem ilustrativa)

Belém: a porta da Amazônia que conquistou o paladar global

A capital paraense foi a primeira do Brasil a receber o selo da UNESCO, em 2015. O reconhecimento veio pela força de uma cozinha que mantém raízes indígenas vivas em ingredientes como tucupi, jambu, açaí e mandioca.

O ponto de partida é o Mercado Ver-o-Peso, o maior mercado a céu aberto da América Latina. Entre os boxes, a cozinheira Eliana Ferreira trabalha há quase 40 anos e foi convidada pela UNESCO para oficinas em Lisboa.

  • Remanso do Bosque: dos chefs Thiago e Felipe Castanho, é referência na releitura contemporânea de ingredientes amazônicos.
  • Lá em Casa: tradicional buffet com vista para a Baía do Guajará, ideal para provar pato no tucupi e maniçoba.
  • Tacacá do Renato: três unidades servem o caldo quente de tucupi, goma de tapioca, jambu e camarão considerado o melhor da cidade.
  • Sorveteria Cairu: fundada há mais de 60 anos, teve o sorvete Carimbó eleito o 32º melhor do mundo no Festival Mundial do Gelato de Roma em 2022.
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Belém, Pará // Créditos: depositphotos.com / vtupinamba

Onde a comida mineira encontrou os botecos premiados

Belo Horizonte recebeu o título da UNESCO em 2019 e é conhecida como a capital dos botecos. O reconhecimento internacional, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, veio pela articulação entre chefs, produtores rurais e políticas públicas voltadas à segurança alimentar.

O endereço obrigatório é o Mercado Central, fundado em 1929 e com mais de 400 lojas que vendem queijos, cachaças, doces e temperos mineiros. Para almoçar, três casas resumem a cidade.

  • Maria das Tranças: aberto em 1950, é referência no frango ao molho pardo servido com angu e arroz.
  • Xapuri: na Pampulha, com fogão a lenha e cardápio de feijão tropeiro, frango com quiabo e carne de panela.
  • Glouton: do chef Leo Paixão, é a vitrine da alta gastronomia local, com técnicas francesas aplicadas a ingredientes brasileiros.
  • Casa Cheia: bar dentro do Mercado Central, famoso pelo fígado com jiló e pela carne de sol com mandioca.
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Belo Horizonte, Minas Gerais // Créditos: depositphotos.com / PedroTruffi

Em Paraty, a cachaça vira passeio turístico

A cidade fluminense é a única que combina dois selos da UNESCO: Cidade Criativa da Gastronomia, desde 2017, e Patrimônio Misto da Humanidade, desde 2019. A culinária local mistura heranças caiçara, quilombola e indígena.

O Restaurante Banana da Terra, da chef Ana Bueno, completou 30 anos em 2024 e é parada certa para quem busca a alma da cozinha caiçara contemporânea, segundo a CNN Brasil.

  • Banana da Terra: no centro histórico, serve peixe com banana da terra e ravioli com pato em casa colonial.
  • Casa Paratiana: anexa ao alambique da cachaça Paratiana, traz comida caipira e tour guiado pelo museu da cachaça.
  • Quintal das Letras: da chef Cláudia Mascarenhas, dentro da Pousada Literária, com pegada rústica e moderna.
  • Recanto Caiçara: na Praia do Engenho D’água, acessível por barco, comandado pela chef caiçara Cida Rocha.
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Paraty, Rio de Janeiro // Créditos: depositphotos.com / xura

Por que Florianópolis virou a capital das ostras?

A capital catarinense entrou para a rede da UNESCO em 2014 pela combinação entre cultura açoriana, pesca artesanal e maricultura. Santa Catarina lidera a produção nacional de ostras, e Florianópolis sai na frente entre as cidades produtoras, segundo dados da CNN Brasil.

O coração desse roteiro fica no Ribeirão da Ilha, bairro açoriano no sul da ilha. A Rodovia Baldicero Filomeno concentra a maior rota gastronômica da cidade.

  • Ostradamus: comandado pelo chef Jaime Barcelos, é uma instituição local, com deque sobre o mar e ostras servidas de dezenas de formas.
  • Rancho Açoriano: nascido em 1997, é famoso pelas ostras gratinadas e pela moqueca da casa.
  • Freguesia Oyster Bar: em Santo Antônio de Lisboa, especialista em ostras cruas, gratinadas e ao bafo.
  • Bar do Arante: clássico do Pântano do Sul, com paredes cobertas por bilhetinhos deixados por visitantes ao longo das décadas.
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Florianópolis, Santa Catarina // Créditos: depositphotos.com / Keola

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São Paulo e o pódio da gastronomia latino-americana

A capital paulista não tem selo da UNESCO na gastronomia, mas concentra a maior densidade de restaurantes premiados internacionalmente do Brasil. Em 2024, sete endereços paulistanos entraram no Latin America’s 50 Best Restaurants, ranking elaborado por 300 jurados de toda a região.

O A Casa do Porco, do casal Janaína e Jefferson Rueda, já figurou entre os dez melhores do mundo no World’s 50 Best Restaurants. A cidade também concentra restaurantes premiados pelo Guia Michelin.

  • A Casa do Porco: no centro, serve menu degustação com aproveitamento integral da carne suína.
  • D.O.M.: do chef Alex Atala, aberto desde 1999, levou ingredientes amazônicos para a alta gastronomia.
  • Maní: comandado por Helena Rizzo, com receitas autorais de inspiração brasileira contemporânea.
  • Mocotó: do chef Rodrigo Oliveira, transformou cozinha sertaneja em referência internacional na Vila Medeiros.
  • Tuju: do chef Ivan Ralston, recebeu o Art of Hospitality Award do Latin America’s 50 Best em 2024.

Faça as malas e siga o mapa do sabor brasileiro

De norte a sul, essas cinco cidades transformaram identidade cultural em experiência gastronômica reconhecida lá fora. Cada uma conta uma história diferente do que é comer bem no Brasil, do tucupi paraense às ostras catarinenses, do frango ao molho pardo mineiro à cozinha caiçara fluminense e à alta gastronomia paulistana.

Você precisa montar um roteiro pelas cinco cidades e provar o Brasil que ganhou o paladar do mundo.

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