A mais de 2 km sob o Mar Negro, um navio grego com cerca de 2.400 anos conserva partes que normalmente desapareceriam em madeira submersa. A ausência de oxigênio nas águas profundas ajudou a preservar casco, mastro e bancos de remadores, tornando o achado um registro excepcional da navegação antiga.
Como um navio grego de 2.400 anos foi encontrado tão fundo?
O conjunto de naufrágios antigos do Mar Negro foi localizado durante levantamentos modernos do fundo marinho. Entre dezenas de embarcações, apareceu um mercante grego com cerca de 23 metros, deitado no leito marinho e ainda mantendo grande parte de sua forma original.
A datação de uma pequena amostra de madeira colocou a embarcação por volta de 400 a.C.. A análise liderada pela Universidade de Southampton confirmou pelo menos 2.400 anos de idade, sustentando o anúncio da equipe de que se tratava do naufrágio intacto conhecido mais antigo.

Por que a madeira não desapareceu depois de tantos séculos?
A resposta está nas águas profundas. Abaixo de determinada faixa, o ambiente se torna anóxico, praticamente sem oxigênio. Isso reduz fortemente os processos biológicos que normalmente atacariam madeira submersa, permitindo que estruturas orgânicas sobrevivam por períodos que seriam improváveis em mares mais oxigenados.
O navio repousa a mais de 2 quilômetros de profundidade, muito além de um mergulho convencional. Ali, pouca perturbação física e a química incomum da água trabalham juntas. O resultado não é madeira nova, mas uma preservação estrutural suficientemente boa para revelar detalhes de construção raramente disponíveis em embarcações clássicas.
Quais partes do navio continuaram reconhecíveis no fundo?
A condição do casco permitiu reconhecer elementos que, em naufrágios antigos, muitas vezes aparecem apenas como fragmentos. O mastro, os bancos de remadores e os lemes permaneceram identificáveis, além de porções do casco e do espaço interno, dando aos arqueólogos uma visão direta da configuração de um mercante grego.
Entre os detalhes preservados, alguns ajudam a dimensionar a raridade do achado:
- Mastro: permaneceu identificável milhares de anos depois do naufrágio.
- Bancos de remadores: conservaram a disposição usada pela tripulação.
- Lemes: elementos de governo da embarcação continuaram visíveis.
- Casco: manteve estrutura suficiente para revelar a forma geral do navio.

Como os pesquisadores estudaram um naufrágio a mais de 2 km?
Em vez de depender de mergulhadores, a equipe usou veículos operados remotamente. Os ROVs usados no levantamento carregavam câmeras, scanners e instrumentos de mapeamento capazes de trabalhar em grande profundidade, produzindo registros detalhados sem a necessidade de retirar o navio inteiro do fundo.
A fotogrametria transforma muitas fotografias sobrepostas em um modelo tridimensional. Assim, medidas, posição das peças e características do casco podem ser examinadas digitalmente. Essa abordagem também reduz a necessidade de tocar numa estrutura que passou milênios em equilíbrio com o ambiente ao redor.
O que um navio preservado assim revela sobre a navegação antiga?
Antes de achados desse tipo, muitos detalhes de embarcações gregas eram conhecidos por imagens em cerâmicas, textos e fragmentos arqueológicos. Um navio quase completo permite comparar essas representações com uma construção real, observando proporções e componentes que dificilmente sobreviveriam em águas rasas e mais oxigenadas.
O valor do achado está justamente nessa combinação de idade e integridade. Depois de cerca de 2.400 anos no fundo, o navio conserva evidências de como madeira, propulsão e governo eram organizados, transformando condições extremas do Mar Negro numa espécie de arquivo físico da tecnologia marítima antiga.
O post A mais de 2 km de profundidade no Mar Negro, encontraram um navio grego de 2.400 anos ainda com mastro, bancos de remadores e casco preservados apareceu primeiro em UAI Notícias.